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quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Uma mudança de look, algum mau feiito e muito rocknroll



A ideia foi minha. E eles concretizaram. Uma t-shirt com uma tatuagem impressa. Basicamente é isto. Com o meu mau feitio e o Rocknroll a sobressair.
Ele desenhou como se me estivesse a escrever na pele. O Alexandre é dos melhores tatuadores do mundo - atenção que já fui tatuada em Londres, em Nova Iorque, em Las Vegas e em Buenos Aires. E com o tempo tão ocupado ainda conseguiu entrar nesta brincadeira comigo.
Ele ainda me disse: olha que sou tatuador, não sou designer. E ficou p.e.r.f.e.i.t.a.
Para isso tive depois de recorrer aos melhores. Casal maravilha, super simpático e super capaz.
Obrigada studio22 tattoo e obrigada Atelier18 .
Vocês sabem fazer uma rapariga feliz.


Obrigada ainda à Ana Pastoria, por mil conversas e algumas fotos e também à Corinne, que muda-me o look há já duas décadas.

https://www.facebook.com/AnaPastoria/
Cabeleireiros HD&GS by Corinne Vieira














quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

O livro do Likke. Obrigada Zero a Oito Editora


Agradecer torna as pessoas mais felizes e por isso começo por agradecer à Editora Zero a Oito o simpático envio deste livro,até porque é um tema que me interessa muito. Cada vez mais a psicologia está virada para a parte mais positiva do ser humano, das competências, das resiliências e, nesse sentido, olharmos para a felicidade e pensarmos naquilo que nos faz feliz é essencial. São as terapias da chamada terceira geração.
Embora agora esteja acesa a polémica à volta da Supernanny e de como os pais portugueses não sabem educar, andam cansados, frustrados, sobrecarregados e a precisar de ajuda especializada, segundo Mark Wiking, Portugal é um dos países cujos pais são dos mais felizes do mundo.

Segundo o autor, Portugal, Espanha, Suécia são alguns dos países em que as pessoas com filhos são mais felizes do que as pessoas sem filhos (ele não chega a estes dados do nada. Criou um centro de investigação da felicidade, para estudar exactamente estas questões). Completamente ao contrário dos USA e dos UK, onde os mais felizes são os que não são pais.

De facto, é muito bom, numa altura em que as famílias portuguesas estão a ser retratadas de uma forma muito negativa, percebermos que mesmo que não haja tantos apoios especializados quanto os necessários, há apoio da família extensa, há apoio de avós. A ser verdade é uma verdadeira bênção.

Cada país tem as suas características, a sua forma de viver e experienciar a felicidade e nós podemos retirar dicas preciosas, entender e assimilar certas diferenças culturais, que começam a fazer cada vez menos sentido estarem espartilhadas e fraccionadas, num mundo cada vez mais global. Quem sabe se o nosso caminho para a felicidade não passará pela estimulação cognitiva, como no Butão?

O livro é muito interessante porque, para além de nos pôr a pensar, impele-nos a agir, quando nos dá dicas, inspirações, nos faz reflectir sobre o que é ser feliz e o que podemos fazer para sermos felizes.

Para isso, é fundamental, por exemplo, darmo-nos mais aos outros, doarmos algum do nosso tempo a quem mais precisa, abrirmos as nossas redes e deixarmos entrar pessoas novas, relacionarmo-nos uns com os outros, aprendendo mais sobre eles e até sobre nós, através dos outros. Dar valor às pequenas coisas, meditar, aprender a utilizar o processo de mindfulness para vivermos mais o presente, são outros segredos para a felicidade.

Obviamente que mesmo quem estuda a felicidade avisa: todos passamos por momentos infelizes, ou menos felizes, vá. A diferença é que as pessoas felizes se centram menos, vivem menos obcecadas com estes momentos menos positivos, percebendo que são apenas momentos e que vão passar, e retirando deles ensinamentos válidos, ao mesmo tempo que procuram olhar mais para o bright side of life.

Vale a pena experimentar?




quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

O Pedro e eu

Eu gosto de fotografias. Ponto. De estar atrás ou à frente da câmara. De imortalizar momentos, de deixar memórias.
A minha casa é cheia de fotos. Lembranças onde se tentou congelar o tempo. E conseguiu.
Há quem diga que as memórias melhores estão cá dentro. Talvez. Mas para mim as fotos têm uma força incrível. E há fotos que me emocionam sempre que olho para elas. Não naquele sentido nostálgico "ó tempo volta para trás" - se bem que estou convencida, mesmo que digam o contrário, que ninguém nunca não pensou nisso, nem que fosse apenas uma vez na vida.
Quando olho para aquelas fotografias, o gatilho dispara e é uma alavanca para virem ao de cima sons, sabores, cheiros, trejeitos, experiências, vivências.
E não me incomoda muito que estejamos todos mais bonitos, mais arranjados, com fatos domingueiros e sorrisos sonhadores. Não espelha a realidade? Claro que sim. I've been there. I done that.
Até porque mesmo sem fotografias temos a tendência a efectuar amnésias seletivas. Há quem recorde insistentemente as memórias más. Talvez por isso ainda não impederni. Porque depois de resolver os fantasmas cá dentro, sou pouco de guardar rancores. Também isso não signifique que perdoe. Significa que talvez para não me magoar tanto, escolho inconscientemente as memórias com que quero ficar. E são quase quase sempre as boas.
Por isso amo olhar para uma foto minha aos 19 anos, aos 30, aos 35 e aos 40 e ver caras felizes. Nunca achei isso uma hipocrisia, mas um acto de ternura e até de resiliência. Por mais momentos maus que tenha passado, tenho aqueles bons que estão guardados, não só na minha cabeça e coração, mas também nas paredes da sala ou do meu quarto.
Que maravilhoso será chegar aos 80 e ter comigo uma prova de como era gira e despreocupada aos 18 ou aos 20. De como os meus filhos eram aos 2, aos 6, aos 10, aos 16.
Gosto de casas com vida. Não me peçam para ser minimalista.

Por isso aconselho tanto que façam pelo menos uma vez na vida uma sessão fotográfica em família e sozinhas/sozinhos. Não acho nada que seja vaidade. E é um dos investimentos que vale mais a pena.
A primeira vez que fui fotografada por um fotógrafo de moda tinha 19 anos, acho eu. Tão longe ainda estava em saber que a fotografia faria de alguma forma parte da minha vida.
Um dia destes tentei contar o número de fotógrafos com que já trabalhei. Por ter um blog, por organizar mercaditos, foi-se proporcionando.
E já tenho feitos lindos para recordar. A primeira sessão em família, a primeira sessão pós separação e a última, que como já comentei convosco, surgiu como grito, como força, como forma de mostrar que era preciso dar a volta por cima.
Já fui fotografada pelos mais experientes e por quem está a começar. Já fui a Lisboa só para ser fotografada, já vieram ter comigo a Coimbra e a Évora, só para me fotografar. O que eu já vivi, as coisas pelas quais passei davam para escrever um livro. Por isso quando estou em baixo esforço-me por agradecer tantas coisas boas que a vida me deu.

E não podia acabar o post sem falar no Pedro. Sem melindrar ninguém, o Pedro foi uma das melhores surpresas que a vida decidiu entregar-me.
O Pedro de Oliveira é um jovem fotógrafo da Figueira, a minha cidade do coração, com um talento excepcional.
Eu já nem falo do resultado final. De todos os fotógrafos com quem já trabalhei o Pedro tem o dom raro de saber dirigir. Tal como os actores precisam de direcção, os "modelos" também. Geralmente diziam-me "comporte-se naturalmente Sofia, faça o que quiser" e passava metade do tempo sem saber o que fazer. Se olhava para baixo, para cima, como sorria, quando escolher e como escolher um perfil, como pôr as mãos.
Foi uma experiência divertidíssima, única, em que exagerámos em algumas poses para dar um ar editorial, de revista. Íamos à descoberta e íamos ver no que dava. 
A frase que mais recordo do Pedro, com todo o respeito, foi a frase "ombros para fora, peito para cima"!!!!! (ou seria ao contrário????)

Amei Pedro. A tua entrega, a tua paciência, o nosso à vontade, a nossa empatia.
Deixo aqui a foto que já viram e já gostaram. Aos poucos vou colocando mais uma, duas, três ou quatro - e vou ser comedida porque a minha vontade era postá-las todas. Chamem-lhe orgulho, chamem-lhe vaidade. Ou chamo amor ao que sinto quando mostro novas promessas, novos autores, novos artistas e artesãos. Chamo-lhe felicidade.





terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Youtube, o novo bicho papão?

É curioso como há tantas coisas que só verdadeiramente nos preocupam quando passamos por elas, quando somos pais.
Quem me segue sabe que esta é uma luta que travo há talvez uns dois anos.
Da primeira vez que o meu filho Manel me disse que o que queria ser da vida era youtuber, achei estranho e simultaneamente desconhecida. O YouTube não era um bicho raro, sabia que há lá de tudo, mas como só lhe ligo para ouvir música e ouvir conferências, não liguei muito. Até porque o Manel, também com a ajuda do pai tinha aprendido a tocar guitarra no YouTube. E depois havia imensos tutoriais de maquilhagem, embora estes me passassem ao lado, e havia a Porta dos Fundos. Só por isso já valia a pena haver está ferramenta/meio comunicacional.
Achava eu que embora não dominasse este novo mundo, não era uma completa totó - sou uma mãe fixe e moderna.
Até que vi e ouvi o primeiro vídeo do Manel. E aquele não era o Manel. Não dizia palavrões à descarada, mas era uma personagem, não era ele. Os toques, o tom de voz..tudo era estranho. Ri-me a tentar desvalorizar a coisa, mas não fiquei completamente em paz.
Talvez fosse um novo rito de passagem, nós sociedade ocidental que não temos muito, para passar da infância para a adolescência.
O gosto pela guitarra tinha ficado para trás. Um miúdo que tinha comprado uma guitarra eléctrica e um amplificador com o seu dinheiro, para a deixar de lado. Agora já nada interessava seguir um bando de youtubers.
Deixou de fazer vídeos, mas o interesse permanecia. O Facebook diz muito pouco a esta nova geração, curiosamente.
Falei com ele. Inclusivamente falei-lhe de um texto preocupante escrito por uma psicóloga. Mais uma vez se isto não fosse sério, ria-me com a resposta que me deu: ela tem é inveja de ganhar menos de um terço do que eles ganham. Tão novo e com um sentido de vida tão errado. Mas engraçado, não era nada disto que lhe incutia em casa.
Ele mostrou-me os vídeos. De facto os que ele seguia não incitavam a loucuras, à desobediência ou rebeldia. Muitos até eram a comentar jogos do Real Madrid, do Barcelona ou do Benfica. Mas a forma como falavam. Em 4 palavras três e meia eram asneiras. Oscilando entre um palavreado feio, mas soft, e palavrões a sério.
E o pior é que via os vídeos com o Vicente, de 7 anos, que adora futebol.
Acho preocupante? Acho. Se faz parte da crise identitária que é adolescência? Talvez faça. Se os pais por isso devem permitir. Só até o seu bom senso permitir.
Tenho algumas questões sem resposta: deveremos banir tudo o que nos parece nefasto e pernicioso da vida dos nossos filhos? Como fazer entre fechar os olhos e proibir? Nós também testámos limites. Mas nunca poderemos comparar porque o mundo agora é diferente e está constantemente a mudar.

Não há One answer fits all.
Mas gostava de ouvir-vos sobre isto. Para mim passa tudo por não nos fecharmos ao debate, nem entre pais, nem com os filhos. Devemos saber sobre o assunto, ouvir psicólogos clínicos e do desenvolvimento, mas conscientes que podemos ouvir reflexões bastante diferentes umas das outras, e a procura do locus de controlo para educar os nossos filhos está tão fora, como dentro de nós. Não há ninguém que conheça melhor o que é melhor para os filhos do que os próprios pais.

Entretanto deixo-vos o texto da Ana Galvão, que serviu de motor de arranque para este post.

Vivemos um momento curioso. Por um lado está a travar-se uma luta, nunca antes vista, contra qualquer tipo de acto ou manifestação de desigualdade (o que acho fundamental para uma civilização mais decente e justa) num combate totalmente minucioso, que não deixa passar quase nada, no que parece um exame, a pente fino, por tudo o que nos apareça à frente (e que aparenta mobilizar pessoas 24 sob 24 horas, pois nada passa despercebido). Mas, por outro lado temos, sem ninguém dar por isso, uma legião de jovens YouTubers que estão a ensinar barbaridades aos nossos filhos.   Sei que o Nuno Markl mencionou o assunto esta tarde, o que é normal, pois somos pais da mesma criança e preocupam-nos as mesmas questões na sua educação, e esta tarde chegamos os dois à conclusão (e espero que muitos mais pais ) do preocupante que são estes tipos e ninguém fazer nada, se manifestar, e não só isso, existirem marcas que os patrocinam, à grande.
É que há, de facto, um grupo de youtubers, que gravam vídeos sem parar, que têm fãs aos molhos, e que, todos os dias, apresentam ao mundo conteúdo falado em mau português, cheio de palavrões, obscenidades, apelo a insultar os pais, e ainda, desafios para  as crianças serem rebeldes na escola. Incrível. Mesmo que se proíba um filho a ver isto em casa, chegará à escola e verá no telefone de um colega, ou saberá de tudo através das conversas (alguma criança no mundo quer estar fora do círculo social da sua turma?). E para quem defenda que tem que existir liberdade de expressão,  e que o que é preciso é educar bem um filho (noutras  questões concordo) é preciso recuar no tempo e lembrar como éramos na infância. Era muito bonito o que nos diziam em casa,  mas o que mais queríamos era ser igual aos outros, assim que chegávamos à escola, e ver, pensar e dizer em
grupo (faz parte da idade). Há alturas em que os amigos de escola são mais dominantes que os pais (ou, senão é assim, cria-se, no “planeta criança” dois mundos paralelos, o de casa e o da escola). Mais uma vez apelo a que se lembrem como eram em idade infantil/adolescente. Só que nós, em pequenos, tínhamos como expoente máximo de rebeldia  umas baldas às aulas ou umas revistas impróprias. Agora o expoente máximo de ambição, para os nossos filhos, é serem como os youtubers que vêm no computador, ou seja, crianças com muito dinheiro, que insultam a mamã, que falam mal, e que acham a escola como algo indesejado, os professores uma “seca”! E isto é gravíssimo. Gravíssimo porque nos atinge a todos, gravíssimo porque influencia os nossos filhos ( falamos de youtubers com milhares de seguidores, portanto é provável que os vossos filhos também andem por lá), e gravíssimo porque a sociedade não se manifesta, parecendo que, ou há pais que não se importam, ou há pais que não fazem ideia do que os filhos andam a consumir. E, voltando ao início da conversa, o que me parece fascinante, é estarmos numa altura onde tudo é tão minuciosamente examinado, onde somos tão picuinhas com os conteúdos para que não contenham nenhum tipo de linguagem ou teor ofensivo para ninguém, onde cai o carmo e a trindade por coisas, por vezes, tão minúsculas, e onde somos tão, mas tão preocupados em que a sociedade seja justa e respeitosa e, no entanto, há uma pandilha de tipos (chamados de influenciadores)  que dizem as maiores das barbaridades, de fazer ruborizar o mais bravo dos adultos, e ninguém parece importar-se. Não entendo. O que está a falhar?

domingo, 7 de janeiro de 2018

Rir, Reflectir e Ajudar

Tenho sempre ex alunos meus à procura de estágio da Ordem ou de trabalho na área da Psicologia.

Gostaria de criar uma base de dados com os empregos e estágios que aparecem nesta área. Muitas vezes porque não soubemos daquela vaga, não lemos aquele aviso, ninguém nos contou que andavam à procura.
Não sei ainda bem como vou fazer. Mas pretendo, à experiência, começar pela psicologia. Se resultar construir um site e ir abrindo a outras áreas.

Se souberem de algo enviem-me mensagem privada. Partilhem por favor com amigos e conhecidos que vocês sintam que podem ajudar.

Eu estou numa fase que deixei de conseguir falar de roupas, de tendências, de coisas do género. Nunca fecho a porta a nada, mas duvido que o meu blog seja algum dia um blog de life style. Talvez não seja esse o motivo ou a minha missão. Só o tempo o dirá.
Mas ajudar é de certeza. Esta plataforma já com tantos seguidores tem que estar destinada a algo maior.

Por favor, leiam com atenção o que escrevi e ajudem. Ajudar de alguma forma apazigua dores internas. Não estamos só ajudar outros como a nós próprios.

Obrigada. A ideia que tenho de vós é que estão cá para isso também.
Se não pode ser comer, amar e orar, o meu é vosso lema, ou o lema deste blog será Rir, Reflectir e Ajudar.

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Nunca é tarde

Toca o telefone, os sinos da igreja, a campainha da porta, os acordes de uma guitarra e o velho despertador. Toca e sabes que é um sinal de que é hora de começar de novo. Mas ainda não te sentes preparada, enfias a cabeça debaixo da almofada e tentas calar aquele barulho que no dia de hoje te parece infernal. Ouviste as sirenes a zumbir dentro de ti, mas preferiste ignorá-las porque parece que aparecem sempre na altura errada. Para ti desejas o mundo, mas num silêncio absoluto, total, e aí decides levantar-te e segues em frente, de madrugada, ignorando todos os sinais de alarme. Segues pela rua principal. Deixaste-te simplesmente ir, como se entre ti e a vida fosse tudo tão fácil como um jogo em que uma ganha e a outra perde. Aí ouviu-se um estrondo, mas a tua preocupação estava enevoada ou nem sequer estás suficientemente sã para que algo fizesse sentido. Apercebeste-te nessa altura que já só eras metade do que tinhas sido. E tu, tão senhora de ti, começaste a vaguear, perdida, magoada, cada vez mais desnorteada. Só querias recuperar qualquer coisa que já tinha ficado para trás. O silêncio já era incómodo e os pedaços de ti que faltavam começaram a fazer-te sentir incompleta. E as vozes não se calavam "é tarde", "é tarde". Sim, era tarde para teimar em seres uma réplica do que tinhas sido, uma imagem de ti já ultrapassada ou uma pessoa que não queria ser encontrada. 
Já não sabias o que sentias, não tinhas nome para o que sentias, mas teimavas em continuar a sentir, especialmente aqueles sentimentos que picavam como pontas de alfinetes. como facas de dois gumes. Como fogo a arder, como lume. Mas porque gostas assim tanto tu de sofrer?
Foi preciso um colete de forças, numa sala de um branco Alasca, num silêncio mais profundo do que aquele que qualquer um de nós conseguiria aguentar, para finalmente perceberes que do lado de lá da porta estava uma placa gasta, estilo anos 20, com um grafismo interessante - olha os detalhes a que te foste agarrar para não leres o que lá estava escrito. 
Finalmente tinhas morrido. Ou tinha sucumbido aquela parte de ti que teimavas em não deixar partir. 
Já percebeste tudo? Se sim, não chores. Faz antes o favor de sorrir. 
Porque naquela sala branca, cheia de gavetas e etiquetas, reparas que há um quadro na parede, que não podia ser mais adequado - ou desadequado - depende da perspectiva.
Começar de novo, era o que lá dizia. E pela primeira vez sorriste. Pela ironia da coisa. Ainda há pouco estavas na tua cama a tapar os ouvidos a tudo e agora só querias ouvir um pouco de barulho e estás presa a um silêncio pegajoso, por trás de uma placa que diz que podes começar de novo. Sonho ou pesadelo?
Fazes bem em sorrir. Sorri. Sorri quando a vida deixa de fazer sentido. É o caminho mais difícil, mas acaba por ser o mais corajoso e real. Sorri. E pela primeira vez decides que nunca mais lhe vais perguntar se é mais feliz sem ti. 
Mesmo sentido-te pela metade, sais aos tropeções daquela sala, onde a placa cá fora afasta os curiosos e decides, finalmente, que ainda não é tarde. Aos poucos vais esquecendo aquele sonho ou pesadelo ou realidade. Vais esquecendo amores que não deram certo ou promessas que ficaram pela metade. Esqueces campainhas, acidentes, sofrimentos e vais acordando, à medida que tiras a venda que te colocaram, que tu colocaste. E agora já entendes que o pior cego é aquele que não quer ver. 
Já chocaste de frente, já te quebraste em pedacinhos, já caíste, já te levantaste, já choraste, já pediste ou quase suplicaste. Já quase te perdeste. 
E agora renasceste. E encontraste. E soltaste. Largaste a parte que te estava a manter presa, que não te deixava evoluir. Sorrir.
Ficaste sozinha, mas de ti não vais fugir. Mesmo que ainda permaneça em ti toda a angústia de já não teres alguém ao teu lado para te ouvir, para te desejar, para te querer.. Nem a quem dizeres boa noite, bom dia ou boa tarde, sempre que te apetecer. 
Disseste finalmente adeus à parte de ti que um dia foi tua e perdeste e paraste com as lamurias e foste à luta. E tudo porque finalmente tens contigo o que andavas à procura: A vontade. Lava-a contigo para onde quer que vás e também o quadro a dizer  "começar de novo", ao qual escreveste por cima "Nunca é tarde". 








quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Adeus 2017. Olá 2018



Adeus 2017. Foste um ano duro, dos mais duros que tenho memória. Talvez o mais duro de todos. De sempre. Caí, levantei-me, tornei a cair, num vai e vem sem fim. Chorei tanto que dava para transbordar o Tejo ou o Mondego. Chorei mesmo quando muitos de vocês pensavam que me estava a rir. Mas também dei gargalhadas em dias sim. 
Redescobri o amor e deixei-o ir. Porque não era a altura certa. Não era altura para me centrar no outro, mas em mim. Um ano em que tomei consciência de tanta coisa. Um ano que me obrigou a crescer, que me levou a tomar decisões que vão mudar todo o curso da minha vida. Em termos pessoais e profissionais.
Foi um ano em que quis tanto desistir, mas não pude. Não deixaram. E no fim fui eu que não deixei. Tomei coragem e continuei, enfrentando lutos e demónios, mas acreditando sempre que ainda tenho tanto para dar. Só precisava de ganhar mais coragem para mudar no que era preciso mudar e, simultaneamente, abraçar o meu verdadeiro self.
Ouve-me...
A determinação aparece quando te centrares mais em ti, não num acto de egoísmo, mas de pura sobrevivência. 
Fight ou Frozen. Depois de me sentir presa, perdida, encurralada, decidi lutar.
É com este sentimento que quero entrar em 2018. Que espero que vocês que me seguem, que me acarinham, que passam e passaram pelo mesmo, entrem também. Pé esquerdo, pé direito, aos pulinhos ou a dançar. Mas com garra.
Faz-te à estrada, faz-te à vida. Em vez de atirares a toalha ao chão, joga ao alto aquilo que não podes mudar. Luta, mas também aceita. Este carrossel não vai parar de rodar. Ano após ano, uns mais difíceis do que outros, esta será sempre a tua missão.
Por mais que queiras manter em formol certos momentos, certos desejos, certos sentimentos, acredita que o que tiver de ser teu a ti virá. Aceitar não significa de forma alguma resignares-te. Mas aprender que despendes demasiada energia nas coisas erradas. E depois pagas uma conta bem alta. E não podemos deixar. Não em 2018, em que a conta vai aumentar.
Percebe que existe o Tempo e ele é dono e senhor de tudo. Se souberes mexer com o tempo.. ele saberá mexer contigo.

Obrigada Pedro pela última sessão do ano. 
Num elogio a todas as mulheres (e homens) que não desistiram do amor, que não desistiram de novos projectos, que não desistiram da vida, que não desistiram de si.

Sei que não vou ter um 2018 perfeito. Mas decidi arriscar. Apostar em mim e em quem gosta de mim e, principalmente, na minha vida privada parar de me esconder, de me isolar.
2018 vem com tudo o que tens para dar!







quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Afinal tenho outra família!!

Vamos lá começar pelo princípio, que é por onde devem começar todas as estórias.
Depois de experimentar tudo, posso dizer que nem luz pulsada, laser de diodo e outras coisas mais, em mim - atenção- em mim, nada funcionou.
O único que teve excelentes resultados foi o laser Alexandrite. A questão é que é bem mais caro. No fundo é capaz de compensar. Por exemplo, fiz manutenção vai fazer um ano em Setembro. Neste momento as axilas já precisavam de um retoque e confesso que não é fácil pagar pelo retoque - 3 pelinhos - o que pagaria pela selva inteira.
Para além disso, nas pernas experimentei algumas sessões de luz pulsada e foi igual a nada.
Então resolvi voltar para a boa e "velha" máquina depiladora.
Já tinha uma, mas queria ver as novidades do mercado. Ver, não necessariamente comprar. Está bem abelha.
Eu não fazia ideia que este mundo, a par com as luzes pulsadas e os lasers tinha evoluído imenso.
Do ver a trazer para casa foi um pulinho.
Comprei a depiladora Skin Respect- wet&dry premium care Skin respectivo da Rowenta. Está depiladora tem tanta coisa nova que nem sei por onde começar! Para   mim o fundamental é que tem pequenos apetrechos, que se põem e tiram, para zonas específicas. Para mim poder fazer nas virilhas ou nas axilas de uma forma correcta e cuidada é definitivamente um Sim! Mas não é só isso, também dá para exfoliar e, máximo dos máximos, tem 2 apetrechos para pedicure.
Dizem que resulta em pelos mais curtos, em zonas mais curvadas e com resultados rápidos e de longa duração.

Vim bastante satisfeita para casa e muito eu me ri quando se fez luz aqui dentro. Não só a depiladora mais antiga que tinha era Rowenta, mas também o secador de cabelo é Rowenta. Agora tenho toda uma família a morar comigo!

Já conheciam? É tentador, não é?

terça-feira, 15 de agosto de 2017

O que é que vai estar a bombar no tempo dos nossos netos?

O meu filho aos 12 teve o sonho de ser um grande youtuber. Nunca incentivei porque tudo o que via era ridículo. Então ele resolveu criar um canal. E eu nem sabia se chorava ou ria quando vi um dos vídeos dele. Não parecia o meu Manel a falar. Não se atraveu muito com palavrões porque sabia que ia ver, mas era só "topas", "meus", "cenas". Parecia que tinha entrado para um gang de rua!! Ainda por cima tive de ser mais firme e realista quando me pediu para o promover na minha página 4D.
Ele acabou por perceber que muito poucos é que fazem daquilo vida e ganham milhões. Nessa altura pensei: caramba, acabei por desfazer o sonho do meu filho. Mas uma mãe serve mesmo para isso: às vezes polícia bom e outras vezes polícia mau.
Eventualmente perdeu o interesse no canal, quando percebeu que era mesmo difícil ter visualizações, quanto mais seguidores. Mas o bichinho está lá e vê constantemente, agora aos 13.
E há pouco tempo pensei que estávamos muito preocupados com o Facebook, mas  o futuro vai ser mais parecido com o youtube. Já está a ser. Não basta escrever. Isso vai-se tornar obsoleto e vão ser o fim dos blogs. Tirar fotos tambem não é suficiente e por isso criaram-se as instastories, para ser mais dinâmico. E já existem as vbloggers. Blogger que se preze já não escreve. Fala na sua página do YouTube. As palavras vão tender a desaparecer e eu muito preocupada com o acordo ortográfico. Com tudo isto, conseguem imaginar como vai ser no tempo dos nossos netos? Quem se atreve a adivinhar?
Eu, eu vou aproveitar a inspiração chegar e vou usar as minhas palavras no meu blog, enquanto ainda há quem  escreva e ainda há quem leia!!
Beijinhos

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

As séries são como anjos da guarda

Uma coisa boa que a guarda alternada me trouxe foram as séries.
Para quem está de fora é tudo muito fácil. E até os meus pais para me animarem puseram as coisas nesses termos. Não tinha os meus filhos, não tomava conta dos filhos de um parceiro divorciado ou viúvo...então tinha que relaxar e aproveitar o que a vida me estava a dar. Eu que não gosto de limões, achava que ela só podia estar a gozar com a minha cara, porque arranjou forma de me dar os limões mais amargos que existiam. Nem com todo o açúcar do pacote aquilo lá ia - depois admiram-se que tenha engordado.
Aquelas semanas eram agonizantes. Aliás, era tudo agonizante porque logo que estava com eles, bastava passar meia hora, já tinha de me estar a chatear porque eles não queriam ir para a cama, era tardíssimo e o dia seguinte era dia de escola.
Na semana em que estava sozinha vivia miserável pelo silêncio, pela falta deles, pela falta de notícias. Na semana em que estava com eles fazia muitas vezes de polícia má, para além de que parecia que tinha sido arrancada de um retiro de cantos gregorianos para uma festa de transe.
E pensei em mil coisas para fazer enquanto estava sozinha: vai ao cabeleireiro, vai arranjar as unhas...dizia-me uma amiga, mas não me fazia sentido. E não se passam horas nisso. Vai-se uma vez e pronto. Acho, que me desculpem, que essas sugestões servem na perfeição para quem precisava mesmo de estar sem os filhos durante umas horas.
No meu ideal, a divisão devia ser a meio da semana. Não sei. Parece que não custaria tanto.
Espero conseguir voltar ao ginásio e que não seja apenas uma promessa vã, mas as minhas tentativas foram quase ridículas. Ia um dia, não ia outro; ia mais um e depois duas semanas sem ir. A motivação estava a perder-se e eu não conseguia trazer de volta.
Pensei em ser professora e aluna ao mesmo tempo, em sítios diferentes. Mas era um semestre inteiro e não podia ir às aulas, à noite, quando eles estavam comigo.
Confesso que me vim um bocadinho abaixo. Era tão mais fácil ajudar os outros a reagirem, do que nós próprios reagirmos.
A cabeça passou horas a vaguear e a não fazer​ nada de concreto.
Cada uma acaba por achar o seu caminho. Que não é, mesmo, igual para todos. O blog ajudou muito, mas, embora pareça brincadeira é algo série, tenho que prestar homenagem às séries da Netflix. A minha grande companhia.
Um dia destes faço-vos uma lista se quiserem, mas eu só precisei de escrever no Google "melhores séries da Netflix" que as sugestões não tardaram a aparecer.

Peguei numa que nunca tinha ouvido falar, mas que tinha duas coisas a seu favor: estava no top 5 e era enorme - ia de 2011 a 2017.

Já foram tantas. Mas quero agradecer à Sense 8, Stanger Things, Narcos, 13 reasons why, Orange os the New Black, Girls, Love,  This is US, que me fez chorar e rir com tanto gosto e é só uma das melhores séries de sempre. é só para nomear algumas.
A tal última foi Suits. E acabei a série a querer beijar Harvey, ser como a Donna, abraçar e bater no Louis e o mesmo com o Mickey. Foram a companhia perfeita. Obrigada.

Agora ainda tenho a Anne with an E e handmaid's tale.

Quando gostamos de uma série entramos no enredo, identificamo-nos com personagens, odiamos outras e dificilmente nos sentimos sozinhos.
Não digo para se isolarem do mundo, longe disso. Mas estas séries foram a minha terapia, o meu apoio. Só posso sorrir e dizer " verdadeiros anjos sem asas".

segunda-feira, 31 de julho de 2017

12 anos já??




Não falo muito de mim. Nem sei a imagem que passo. Os últimos 2 anos têm sido de altos e baixos.
Já não faço feirinhas, não tenho pretensões de ser uma fashion Blogger e o que sei é que gosto de escrever, gosto de comunicar e tenho feito um percurso de me conhecer melhor.
No meio disto tudo, eu que falo tão pouco de mim, eu que não mostro tendências, sinto uma profunda gratidão e respeito por quem me segue e pelas marcas que continuaram a ver potencial em mim e me continuam a procurar.
Tenho uma mágoa que tenho trabalhado para passar e que não tem sido fácil de ultrapassar. Ao início trabalhei duro para que o blog crescesse. O blog que fez há 5 dias 12 anos e antes de haver espaços destes como cogumelos, em que até se era olhada de lado por ter um blog - mas o que é isso? É para se mostrar? Mas agora tem a mania que é escritora ou que tem estilo? Foram tempos difíceis. Quem não os viveu não percebe, agora que qualquer pessoa, seja um perfeito desconhecido, seja uma figura pública tem um blog. E onde há um nicho grande consegue viver ou quase viver disto.
Eu sou do tempo em que as marcas não percebiam que isto era trabalho e que, por mais que gostássemos do produto que estávamos a divulgar, tinha de haver um pagamento ou uma troca. Isto era valorizar o que fazíamos. E como era novidade para todos, não as grandes marcas, que sempre perceberam o potencial da coisa, mas as pequenas marcas também tiveram dificuldade em aceitar. Então agora faz um passatempo e pede um produto em troca? E foi engraçado, porque na minha cabeça sempre pedi o que é justo. Muitas vezes era eu que abordava as marcas - infelizmente não havia cá intermediários - e propunha: olhe, acho imensa piada à sua página, acho que isto ou aquilo tem imenso potencial, por isso proponho divulgar e em troca quero um para mim. Sempre fui Clara, sem fazer jogos, honestos, justa. Mas começou a correr o boato que eu era uma pedinchona. Quando soube doeu muito, achei tão injusto. Mas a vida é assim. Continuei a trabalhar, a fazer o que achava certo. Até que as grandes marcas apareceram e era tão claro, tão simples. Tão correcto.
Enfim, um percurso dificil, duro, sofrido, mas que eu me orgulho!
Afinal foram 12 anos. Como não fazer parte da minha identidade?
Portanto, celebremos os 12 anos, com o que de bom e mau trouxe.
Esta foto é especial. É uma foto de alegria, brincadeira e alma em paz.
Não é um sítio in, mas foi onde me senti mais bem recebida, mais acarinhada no último ano.
Por isso amigo Carlos, obrigada pela tua amizade. Amigos como tu há poucos.





quarta-feira, 19 de julho de 2017

Já aprendeste com os teus erros?



Uma das coisas que me tem incomodado bastante nos últimos tempos é perceber como é que podemos aprender com os erros. Sim, não sou daquelas que digo que nunca erro, que não faço asneiras, que numa ou noutra ocasião não possa ter deitado tudo a perder.

O que me incomoda é como é que se errámos, com outros ou connosco próprios, esse ou esses erros não são suficientes para aprendermos com eles, para não os voltarmos a cometer.

Tantas vezes que nos sai um “nunca mais” – faço isso, caio nessa, me engano, me enganam, magoo alguém ou a mim própria. Então porque é que volta a acontecer?

Uma das coisas que tenho percebido é que somos péssimos a julgar o futuro, a imaginar-nos no futuro, a pensar como temos de proceder no futuro. Será um problema do nosso cérebro? Pronto, e assim parece que estamos já a arranjar um culpado em vez de assumirmos apenas que somos nós que somos assim.

Mas porque é que cometemos os mesmos erros ou outros muito semelhantes vezes e vezes sem fim?

É fácil, num dia muito feliz, de celebração, ou num dia muito ruim, é fácil dizer e acreditar que as coisas vão ser diferentes. Mas depois não são. Sabemos cá dentro o que tem de mudar, mas não avançamos da ideia para a acção. E provavelmente nem essa verdadeira mudança cognitiva é feita. Mas porque é que os nossos cérebros permanecem exactamente na mesma? Tantas vezes a tomar a pior das decisões, a virar-se contra nós?

Porque é que resistimos à mudança, mesmo quando precisamos dessa mudança, quando sabemos que ela nos vai salvar, quando sabemos que não temos tantas oportunidades assim para fazer da nossa vida uma vida nova, diferente?

Será que a resposta é que, quando uma coisa boa acontece….ou uma má, olhamos para o futuro a querermos acreditar que vamos fazer diferente, mas esquecemo-nos de olhar com olhos de ver para o passado, para percebermos mesmo o que é que fizemos de errado?



Isto leva-me a outra questão. Será que não aprendemos com os nossos erros porque achamos que um erro define tudo o que somos e que nem vale a pena tentar ser diferente? No fundo, queremos mudar, mas queremos continuar na mesma, porque mudar implica dor, sofrimento e ao mesmo tempo uma dose muito grande de sensibilidade e auto-estima para nos perdoarmos. Para pensarmos que a mudança leva tempo e que o cérebro encontra gatilhos e estratégias para mantermo-nos no padrão mais conhecido que temos, mesmo que seja o mais destrutivo. Que errar é humano. Que esta “desculpa” não pode, nem deve servir para sempre, mas ajuda a atenuar os danos colaterais. E até a motivar-nos a fazer melhor.



Até parece que estou a falar de acções complicadas ou de coisas muito sérias. Tipo lobo mau. Não, estou a falar dos nossos erros diários, que parecem pouco, mas que continuam a persistir se começam a parecer com um monstro com mil cabeças. Os nossos nervosismos, o hábito de gritarmos, o Hábito de descontar em quem não merece, o hábito de procrastinar, o hábito de não lutarmos pelo que queremos, de não sabermos perdoar, de não deixar que a vida nos defina a nós, mas nós a ela…

Sim, são hábitos e por mais que de fora pensemos “se são maus hábitos é tempo de os mudar”, também temos de pensar que mudar um hábito demora, leva tempo, necessita de ser contrariado e domesticado. Não é que não tenhamos aprendido com os erros, mas os hábitos são difíceis de alterar.



A silly season pode servir para não pensar em muita coisa e descansar do ano difícil que tivemos. Mas porque não utilizarmos esta altura do ano para pensarmos o que é que andamos a fazer de correcto e de incorrecto nas nossas vidas?

E se Setembro é o tempo dos recomeços, eles não aparecem do nada e não se constroem sozinhos.



Talvez seja a altura certa para entre um mergulho e outro meditar sobre o que temos mesmo de mudar. Para haver mudanças, têm de haver novas acções, novos comportamentos, novas formas de estar na vida. E uma fé inabalável em nós e na ideia de que conseguimos essas mudanças. Com uma dose certa de perdão, uma espécie de shot, que é suficientemente forte para não nos deixar ir abaixo, e suficientemente pequeno, para não nos deixarmos abater demasiado pelos nossos erros. Concluindo, é mesmo importante percebermos o que é que aconteceu para dar errado, em nós e nos outros e à nossa volta (eu não nos quero transformar nos maus da história, mas se não nos puser a olhar para dentro de nós, será tão mais fácil, basta culpar tudo o resto e continuarmos na mesma). É urgente olhar para o que é que deu errado para começar a dar certo.

terça-feira, 18 de julho de 2017

Há dias em que devia sair vodka do teu chuveiro. Com morango. Ou manga. Ou até laranja. Tanto faz.


Há dias em que tudo corre mal, não há?
E os piores são aqueles imprevisíveis. Em que estás na tua, a desfrutar de uma vida normalzinha, vá, e de repente o céu parece cair-te em cima da cabeça.
E quantas vezes, em vez de arregaçares as mangas só te apetece vestir a tshirt velhinha de trazer por casa, aquela a dizer "Olá, sou miserável" e tapares-te até ao pescoço, fechares portas e correres as persianas até abaixo e esqueceres que a vida existe? Ou melhor; quantas vezes consegues pensar, depois de uma hetacombe,  "que se lixe"?
O problema é que sabes que a vida nunca se vai lixar. Se alguém tiver de se dar mal, esse alguém não há-de ser a vida, pois não? Queria dizer isto de uma forma mais fofinha e serena, mas não sei como. Somos nós que pagamos um preço bem alto por vivermos tudo com tanta intensidade. E isso não tende a melhorar.
E nesses dias, já para não falar dos outros, em que os pequenos ajustes do dia a dia te deixam com o corção a palpitar, a bater mais rápido...aqui simplesmente parece que te vai saltar do peito.
Porquê a mim? Porque é que tudo parece correr mal comigo? É o stress. Esse nosso grande inimigo. Pronto, é isso. Valerá a pena falar mais sobre algo que já usamos como palavra do dia a dia, como se fizessem parte de quem somos, da"la famiglia"?  Bem, tem de se falar. Porque quando começas a sentir isto todos os dias, ou quase todos os dias, por causa do trabalho, por causa da relação com o marido, por causa dos filhos, por causa da falta de tempo, por causa das mil  quinhentas e quatro decisões que tens de tomar quase de seguida...o stress passa a ser crónico e nunca mais te vai largar, por mais que o queiras dar- lhe um grande chute no traseiro. Esse stress mata, deixa sequelas irreversíveis, dá cabo de quem és ou querias ser, da tua auto-estima. Claro que temos sempre a hipótese de ignorar os efeitos desta "pessoinha" miserável  e mesquinha e continuar a viver como se ela não existisse. Mas até quando vamos conseguir aguentar? Se for de quando em vez ainda é possível. Todos os dias? Nem pensar.
O stress pode acabar connosco e é importante que se fale nisto. Porque a medicação não chega para resolver tudo. Embora ajude, se bem administrada, nas doses certas e não para toda a vida.
E se calhar, pode parecer estranho ou até já é algo bastante batido, o stress não existe de facto. Sim, há muitas pessoas que conseguiram e conseguem, efectivamente, passar por aquilo que passamos e lidar razoalvelmente bem com isso, sem o tal Mr Monster, the Stress a atrapalhar.
Isso significa que, depois de tanta coisa, ele não existe? No fundo, a verdade é que não são os factos em sim que são stressantes, mas a forma como os encaramos, como lidamos com eles.
Bem, nem tudo. Há coisas que acontecem porque acontecem e fariam doer a qualquer pessoa, e fariam sentir raiva e o coração com a sensação de que acabou de correr a maratona  de Lisboa, Londres ou Sevilha. Porque é a chamada causa efeito.
Mas no stres há qualquer coisa entre a causa e o efeito, que são as nossas cognições, as interpretações que colocamos naquilo que acontece.
Se formos chamados à escola do nosso filho porque ele faltou às aulas, se batermos com o carro, se a nossa chefe nos ligar a ameaçar que podemos estar quase a ser despedidas...isto só deixa uma mossa valente porque são coisas com as quais nós nos importamos, que mexem connosco, que põem a nossa cabeça num virote a pensar no que vai ou não acontecer a seguir e, quase sempre, a pensar nas piores consequências e na falta de forças e capacidades para lidar com tanta coisa junta. Sem isso não há stress.
O stress aparece da forma como nós lemos e lidamos com os acontecimentos com que nos vamos deparando na vida. São as nossas vozes interiores e a forma como olhamos as coisas que causam a ansiedade, nunca o acontecimento per se. E, mais uma coisa, obviamente que não o fazemos conscientemente. O mais certo e provável e que não nos damos conta é que todo este processo acontece dentro de nós,  que dificulta muito mais as resolução dos problemas porque dificilmente conseguimos pôr a voz da razão a falar mais alto. A voz da razão que ajuda que um problema só seja um problema dentro da nossa cabeça. Mudando a música ou banda sonora que vem nesse momento aos nossos ouvidos, e que muitas vezes custa a desaparecer, tudo muda.
Se queremos mudar a nossa forma de viver temos de deixar de pensar que o stress faz parte do dia a dia da vida moderna.
Quem não se sentiu stressado nos últimos dias ou nas últimas semanas (e já estou a ser condescendente. Devia dizer últimas horas?)? Quem não sentiu medo?
Mais facilmente dizemos que sentimos stress do que sentimos medo, mas no fundo as duas vêm de mãos dadas.
Até o stress que sinto de ter obras no prédio todo o santo dia é uma forma camuflada de ter medo de não conseguir trabalhar em casa, de descansar o suficiente, de estar em paz com os meus filhos. O stress que sinto quando vejo os meus filhos a brigar é o medo que tenho de não me sentir uma boa mãe ou o medo da falta de tempo para eles. E podíamos continuar assim eternamente.
Algum stress é positivo, alguma ansiedade faz com que nos preocupemos e decidamos ser melhores. Mas calma. É preciso meter medo ao medo e dizer que nos estamos a borrifar para uma série de coisas, que somos mais fortes do que isso. Das primeiras vezes vai parecer falso e vai apetecer desistir. Aos poucos vamos sentindo que o coração já não nos quer sair pela boca e que tudo tem, mesmo,  uma solução.
Que a vida não está para nos lixar, que isso é feio demais e não fica bem dizê-lo num texto tão elegante.  A vida está cá para nos para nos pôr à prova. E somos nós que escolhemos a banda sonora, os argumentos, as discussões, o guião...o medo...que passa ou não passa nessa altura pela nossa cabeça. Aliás, pelo nosso corpo todo.
Afinal como diria muita gente, segundo a internet (desculpem, mas não encontrei o verdadeiro autor da frase), para todos os problemas há uma solução. E parar de viver com medo parece-me uma bastante adequada. Tal como aprender a ter a sensação que controlamos o que nos acontece e que não é precisamente ao contrário.  E que facilmente perdemos o controlo sempre que algo mexe connosco.
Se nunca mais vamos sentir medo? Vamos. Se vamos sentir que  perde o controlo de vez em quando não é normal? É.  Se o stress não vai ganhar algumas batalhas? Vai. Que o stress é causado pela forma como nós pensamos e não pelos outros? É verdade.   Mas se não vivermos obcecados com isso a vida ganha um novo sentido. É uma verdadeira mudança de foco. Uma mesmo grande. Talvez a maior proeza seja deixares de sentir que não és uma vítima, a vítima da tua própria vida.  Sentires-te uma vítima é perderes todo o poder que tens dentro de ti. É perderes a força, a auto-estima e até o auto-conceito - saberes quem és e/ou a ideia que tens de ti próprio.
E aproveita para ensinares com palavras, mas principalmente com exemplos, tudo isto aos teus filhos.
E tira um tempo para ti, vai espairecer, beber o tal vodka porque, tal como o céu parece que nos vai cair em cima da cabeça, mas não vai, o vodka nunca sairá pelo chuveiro e te resolverá a vida. A isso cabe-te a ti. Tira a t-shirt, arranja-te, vai beber um copo (que um não mata, nem te fará cair em desgraça) - parece que a bebida da moda já nem sequer é o gin, mas Porto branco com água tónica - e começa a arranjar estratégias para seres feliz.

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Quantas coisas más já fizeste na vida?

Eras capaz de ser violento, até de matar, de roubar...
Dentro de circunstâncias atenuantes que até parecem as certas.
No fundo, já pensaste nisto? Até onde eras capaz de ir? Mesmo que só apenas para proteger ou vingar os teus?
No fundo somos assim os seres humanos. Está na nossa natureza. Estará?
Muitos de nós nunca admitiríamos, mas que há um lado negro que todos temos, camuflado, atenuado, culturalizado, domesticado, reprimido por um enorme super ego, lá isso há.
A Psicologia Social mostrou vezes e vezes sem conta que todos, por uma razão ou por outra, somos capazes de passar para o lado mais sinistro, mais negro, se formos levados a tal.
Calma. Então somos todos uns monstros? Já não há cordeiros? Foram todos comidos pelos fortes e grandes lobos maus, sempre à espreita?
Não. Nós também somos capazes de carinho, de empatia, de gestos de caridade, de lealdade, de amor profundo e verdadeiro pelos outros. Muitas vezes por aqueles que nem conhecemos, como tão bem mostrou a tragédia das últimas semanas e tantas antes dessa.
Quando eu era miúda e o meu pai, viciado em westerns, lembro-me de lhe perguntar sempre, até ao ponto de quase o chatear: "Pai, quem são os maus?", para tentar fazer uma separação, para entender a história, que, com a idade que eu tinha, e porque os filmes trabalham muito bem essa questão, era mandatário saber de que lado é que me devia posicionar. Quem eram os bons. E sim, sempre quis ficar do lado dos bons. Chamem-me betinha. Mais tarde, já na faculdade de psicologia lembro-me de ouvir que esse termo se chamava clivagem e que só as crianças e os loucos o faziam. Os outros sabiam que ninguém é só bom ou só mau. Somos uma mistura de tudo o que nos acontece, de todas as experiências que vamos tendo e que ficam presas em nós, desde a infância.
Até aqui tudo bem. Mas será que sabemos avaliar-nos até que ponto conseguimos fazer o bem.... por exemplo, sem olhar aquém, ou fazermos mal se a isso formos levados, forçados ou apenas só porque sim, porque tivemos um dia não e apetece-nos mesmo enviar uma foto comprometedora ou uma piadola a alguém que não gostamos? Quantas e quantas vezes descarregamos as nossas raivas e frustrações nos nossos maridos, companheiros, pais, filhos...

Já não somos mais crianças. Já conseguimos perceber que todos nós, gente mais ou menos normal, sente raiva, ciúme, inveja, sentimentos de inferioridade, orgulho doentio, ganância..
Mas também sentimos compaixão, humildade, empatia, generosidade, amor, confiança, fé, felicidade só por fazer ou mesmo só por ver outros felizes..

Nós somos ambos, os que fizemos o bem e os que fizemos o mal. E por vezes nem pensamos nisto. Mas eles estão dentro de nós, a lutar pelos seu espaço, a vencer as suas dores, a curar os seus demónios.

Quem ganha?

Se eu tivesse a resposta...

Se eu tivesse a resposta talvez dissesse: Talvez aquele que alimentares mais....

terça-feira, 11 de julho de 2017

Como é tão fácil estragar tudo

Se calhar estragamos tudo quando despendemos todas as nossas forças e energias a mostrar aos outros ou ao outro, em particular, como somos bons, engraçados, especiais. Uma necessidade visceral de mostrar que somos melhor do que somos. E não apenas comuns. Porque comum é mau, é a morte do artista. Todos o sabemos.
Também julgamos mal os outros porque ao princípio queremos apenas ver aquilo que queremos ver. Nem mais, nem menos. E não deixamos que os outros vejam em nós aquilo que também somos. Porque ninguém é apenas isto ou aquilo.
E porque é que ficamos tão zangados e magoados e vamos perdendo o encantamento quando a pessoa mostra aquilo que sempre lá esteve, mas que não quisermos ver, ou que pela confiança e à vontade foi-se mostrando pouco a pouco?
Para nós essa pessoa perdeu a magia…mas será que conseguimos alguma vez entender que está a acontecer exatamente o mesmo com ela? Tudo o que fomos colocando atrás do ecrã vai potencialmente tender a descer e apercebemo-nos que o outro não é perfeito. Mas porque seria? Nós somos? Não, de todo. Ninguém é.
E estamos tão presos às crenças iniciais que muito dificilmente conseguimos soltar-nos da perfeição que esperávamos daquele com quem escolhemos ficar e o vemos apenas como uma pessoa, com qualidades e defeitos, com partes divertidas e outras aborrecidas, com momentos de muita alegria, mas também outros de muita tristeza. A tal bagagem que todos trazemos connosco e que se vai mostrando pouco a pouco.
E se aos 20 essa bagagem já pesa, mas é ainda bastante leve…o que dizer quando é uma bagagem que carregamos connosco há 40 anos, por exemplo?
Não é por mal. É porque queremos a perfeição, o amor especial, a vida que sentimos que merecemos viver, como a dos contos de fadas que nos contaram em crianças e que nós acreditámos. Como aceitar que não é assim? Que as princesas e os príncipes também podem ser neuróticos às vezes e que talvez até vamos conseguir encontrar no outro algumas das características que não gostamos em nós?
Não é por mal, mas no fundo somos profundamente egoístas quando não nos conseguimos descentrar do queremos ou queríamos ser ou ter ou alcançar… E desistimos. Simplesmente desistimos.
Pergunto-me se investimos mais em nós, num falso nós, do que propriamente na relação e no descascar as camadas que todas as relações vão tendo?
E quando percebemos isso já arruinámos tudo. Porque sim, se por vezes pode não ser tarde demais, outras vezes pode.

Não te arrependas de não teres lutado mais,

Dói quando ficas sozinho, quando as coisas acabam, num repente ou gota a gota. Mas mais do que ficar sozinho, a dor maior é saber que estás a pouco e pouco a ser esquecido por alguém que não consegues esquecer. Que não queres esquecer. 
A dor poderá mesmo ensinar-nos, levar-nos a aprender? Como diria Aristóteles, só assim é que aprendemos? Então sente, percebe o que está mal e acredita que não tem de ser assim para sempre. Podes mudar até morrer. Por ti e por alguém, se isso te fizer sentido.
Desejas com todas as partes do teu corpo seres a pessoa mais importante da vida de alguém. Mas nem sempre és. E isto pode arruinar-te por dentro ou fazer-te seguir em frente. Tornar-te mais forte .E nem sempre tem de ser para desistir. Quem dera que fosse muitas vezes para lutar. Principalmente por ti....e também por um nós, se ainda houver um nós. Tantas vezes que as pessoas nem imaginam o que se passa dentro de ti e o que esconde um sorriso.
Tão difícil perceberes se é a felicidade e as borboletas que te fazem sentir a coisa certa. Ensinam-nos isso e queremos acreditar nisso. Tanto. Mas não é muitas vezes a dor que mostra o Amor?

A dor abre fendas e buracos e feriadas monstruosas dentro de ti que parecem nunca sarar. Compensa isso com a esperança, com a crença de que por vezes pode parecer que não vai dar certo, até podem parecer incompatíveis….mas sabes que é aquela a única pessoa que queres. Teres a certeza é uma força poderosíssima.

Falo simplesmente da capacidade de perdoar e recomeçar. Não temos assim tantas oportunidades na vida de sermos felizes.

Estou a ensinar a perdoar, estou a ensinar a seguir em frente? Não sei. Estou apenas a  a sugerir que abram os vossos corações e que escolham em paz. Mesmo com medo, em paz. Porque não há dois casos iguais. E por vezes, um dia, arrependemo-nos de não termos arriscado mais.

quarta-feira, 5 de julho de 2017

O meu filho ficou retido


Ficou retido? Na escola, na esquadra, no ano escolar? O Afonso vai repetir o 11º ano porque…quis.
Porque não tem capacidades? Havia alturas, confesso que para mim mesma, eu preferia que fosse isso. Não, na verdade o Afonso tem capacidades, mas um profundo desprezo pelas matérias escolares. É que eu nem posso dizer que é pela escola, porque gosta de estar ali, quer continuar e não me pediu uma única vez para mudar.
O que o Afonso quis,  ao crescer e  tornar-se um adolescente com mais consciência, foi tomar a sua decisão. Uma decisão tirada a ferros. Não é a mesma coisa do que ter-nos dito um dia:   eu quero e preciso de reprovar.
Não, o Afonso nunca foi um miúdo que chegasse a casa e nos tivesse algo para contar, mesmo que fosse bom para ele.

Falar com o Afonso é a coisa mais difícil do mundo. Desde sempre. No 3º ano era assim: “O que foi o almoço, meu amor? “Já não me lembro”; “No 11º ano “Então a Concha está a fazer o quê – tentando saber um pouco mais deles, quando estão com o pai. Resposta:” Se queres saber a verdade, nem reparei”.
E os meus filhos não são todos assim. Por exemplo, os mais novos engalfinham-se para dizerem primeiro o que foi o maravilhoso repasto que a empresa mandou para a cantina – e coitadinhos, nem um dia se queixaram.

Portanto, nunca tive o Afonso a entrar-me pela porta dentro a dizer :” temos de ter uma conversa” ou “eu tenho de reprovar.”

Ele sabia que por todas as razões e mais alguma, isso ia dar cabo de mim. Comecemos pela mais óbvia: os nossos últimos dois anos não têm sido propriamente perfeitos, nem pacíficos. Precisava tanto que a crise não nos atingisse a todos, mas uma crise familiar é mesmo assim. As mudanças acontecem e nem sempre são fáceis.

E depois, porque isso vem lá de trás, de muito atrás. Têm tempo? Puxem uma cadeira e leiam com atenção.

O Afonso  já com 1 ano fugia para a sala de 2 e todos achavam piada e era ali que devia estar, se ele queria. Nessa altura, tenho quase a certeza de que não ficava muito orgulhosa. Mas lembro-me de achar que ele parecia desenquadrado entre o que sabia e o que os outros meninos faziam.

O Afonso teve um problema. E ainda não é desse que vamos falar. O Afonso teve o problema de nascer em Janeiro e ainda que não sejamos génios, quem nasceu em Janeiro na minha família não teve um percurso normal. A minha irmã mais nova  entrou logo no  2º Ano e o Afonso fez  o primeiro ano, enquanto devia andar a correr e a saltar e a fazer teatros na pré.
Com uma agravante ainda maior. Andava no Jardim Escola João de Deus, onde se aprende regras, disciplina, a ler e a escrever – através da cartilha maternal – no último bibe da pré- escolar. O bibe azul.
Parece-me assim que  lhe roubámos um ano de brincadeira e de não fazer nada e de pensar nas estórias da carochinha, para fazer coisas sérias, como ler estórias – não só juntar palavras, mas ler estórias e fazer contas e começar a perceber o que era a abstração. Quando ele só queria era brincar. Foi diagnosticado com défict de atenção e hiperatividade. Claro….se não era ali o lugar onde devia estar. E todos nós deixámos correr.  E eu fui muito culpada.
Sinto para mim que lhe roubámos dois. O último ano da pré e o 1º ano, quando ele devia ter ficado na pré. Numa pré de brincadeiras e sem grandes obrigações.

Nessa altura ele já tinha tido o avc e já tinha sido avaliado e era claro: um menino de 5 que cognitivamente tinha capacidades de mais de 7. E a parte emocional? Essa décalage? Essa décalage vai diminuindo com os anos, dizia-se. Mas não diminuiu. E se eu soubesse o que sei hoje, tudo teria sido diferente!!!!!!!!!
Naquela altura estava ainda a fazer o  luto por aquilo que lhe tinha acontecido e por saber que ele teria de fazer não sei quantas coisas adaptadas. Ele não conseguia atar os atacadores ou abotoar a camisa e  demorava o triplo do tempo a fazer fosse o que fosse, mesmo a lavar os dentes ou a cortar o bife.

E eu, ao mesmo tempo que chorava pelo meu filho que tinha limtações físicas, sentia-me orgulhosa das suas capacidades  cognitivas. Ele conhecia as marcas de todos os carros, sabia os nomes das capitais dos países mais longínquos e decorava tudo aquilo a que achava piada. Continua a ser assim.
E a parte emocional? Que se lixe isso. Mentira, sejamos honestos! E eu preocupava-me. Quis tanto perceber que o levei ao prof. Eduardo Sá. Estava tudo bem com ele. Ele era feliz. E nós deixámo-lo seguir, porque “ele era feliz”.
E era…. mas todos os anos era eu que o ouvia: porque é que estou com esta turma? Quando eu faço anos, já alguns fizeram um ano a mais.  E um dia disse-me alto e bom som que não queria ser o mais novo da turma. Não gostava disso, não se sentia bem com isso, fazia-lo sentir-se diferente.
Estando na adolescência, sendo ainda por cima rapaz, imaginam o que isso significava? Ele estava desenquadrado ali.
Que eu saiba nunca foi vítima de bullying na escola. Mas de cada vez que um professor faltava, ele vinha para casa.

E eu não conseguia perceber – parece agora mais simples, não é? Mas não é.
Um dia entrei recentemente no seu no quarto de teen e ele tinha lá o boneco que lhe levámos ao hospital quando teve o avc, aos 3 anos, quase 4. O Afonso não fala a sério. Nunca ninguém chegou ao que se passa lá dentro. Meio na brincadeira, que é a forma que eu tenha de chegar a ele, mas com todo o respeito,  perguntei-lhe porque é que aquele boneco estava ali e num lugar tão visível, não lá atrás, escondido no roupeiro. “Porque foi muito importante para mim receber esse boneco e eu não me esqueço de nada”.

Juro que nessa noite adormeci e acordei a pensar: tive uma epifania. O Afonso vai reprovar porque quer, porque precisa de encontrar a sua tribo – e quando eu vejo as meninas que já foram da sala dele há muitos anos atrás, com mil fotos no instagram, quais modelos profissionais, percebo que aquela não é, definitivamente, a tribo dele.
Sei que  ele se relaciona  com os miúdos e miúdas do 8º , do 9º e alguns do décimo, porque, pela primeira vez, se sente respeitado como mais velho.

Obviamente que fica sempre confuso: foi tudo uma  negação de todos estes anos e agora veio, de repente, no meio da noite, a grande revelação. Aconteceu.

Ele reprovou, não foi sequer fazer os exames e eu zanguei-me muito pouco com ele, porque tenho fé que esta paragem o faça crescer nas emoções, nos contactos sociais, nas experiências com os miúdos certos.

Nunca se volta atrás, mas, se pudesse, eu voltaria, as vezes que fossem precisas. E uma coisa é certa, uma criança não deve andar à frente da sua idade cronológica, da sua idade mental, da sua idade emocional. Isto é muito, muito mais sério do que parece.

Este foi dos posts mais didíceis que já escrevi, mas não estou minimamente procupada com as críticas alheias. Para mim foi bom perceber,  finalmente,  desabafar e deixar um conselho que me parece essencial. As crianças não ganham nada de nada em começar mais cedo o percurso escolar.
Eu achava que ele ia sofrer muito porque ia deixar a turma para trás, porque já vinha com eles da pré. Nunca se saberá quando seria a altura certa para ele parar, para não se sentir desenraizado.
Mas aos 16 foi ele a escolher. E espero que seja uma das melhores decisões da vida dele. Que ele se enquadre, que mature e que se motive para continuar o seu caminho, sendo feliz com isso. É o que eu mais quero.


O Manel passou para o 8º com 3 e 4s, o Vicente com tudo Muito Bom e a Conchinha vai começar um mundo novo em Setembro. Que seja muito feliz e que a saibamos sempre orientar. Que a estrelinha da sorte ou o anjo da guarda ou a minha avó a amparem. 

terça-feira, 4 de julho de 2017

Tanta coisa boa para fazer


Há 4 anos escrevi um post sobre o que fazer antes que o verão acabasse. Foi um sucesso.
Foi impossível fazer tanta coisa, mas continuo a fazer de tudo para lhes proporcionar experiências diferentes, divertidas, que fiquem na memória. Espero conseguir.

Depois do Parque Aventura fomos ao Aquafun também na Figueira,  no Cabedelinho.  Um insuflável, umas bóias, um itenerário dentro de água e muita diversão.

Depois das fotos do Bruno e das minhas, estas não fazem jus, porque tivemos de arranjar uma máquina à prova de água antiga e só mais no final é que nos lembrámos que a tínhamos de ir desembaciando duhhhhhh

Espero que mesmo com um ar muito oldschool consigam ver como aquilo foi divertido para as minhas crianças, as grandes e as pequenas. Não percam! As vossas também vão adorar.


Obrigada https://www.facebook.com/Aquafun-praia-do-cabedelinho-1109989229058278/













segunda-feira, 3 de julho de 2017

O parque Aventura, a surpresa para o Bruno e a minha câmara.

Bruno, conhecer-te foi especial. Obrigada por tudo.
Antes de nos irmos embora disse que não te ias ficar a rir porque tinha fotos tuas, género souvenir.
Nunca pensaste ter que fazer o percurso para os apanhar lá do alto, pois não? Mais um corajoso. E ainda por cima sempre a proteger a máquina. Cá de baixo tirei  algumas, tuas e deles.Espero que gostes. Espero que o Parque Aventura adore.

Beijinhos e muito obrigada Bruno Lé Photography. Temos mesmo de repetir!

https://www.facebook.com/BrunoLe.Photography/

Obrigada Parque Aventura pelo excelente acolhimento.

https://www.facebook.com/ParqueAventuraPT/






















































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