Não imagino o que será isto. Não imagino que seria acordar 26 anos depois. Parece tudo demasiado à filme. Também não sei o que é estar a cuidar de um filho durante 26 anos, um filho que está há 26 anos em coma, que não nos "deixa" fazer o luto porque está ali e até parece sacrilégio pensarmos nisso; que nos vai dando esperança para uma coisa que só um milagre mudaria.
Mas a Edwarda pediu à mãe que prometesse que não a deixaria nunca e a mãe assim fez. Interessante quando falamos genericamente em temas como a eutanásia ou o aborto de um feto com uma má formação, por exemplo, e quando os outros passam a ser nós tudo se transforma, à partida tudo se transforma quando somos nós. Cuida-se por amor, por lealdade, por obrigação e por culpa. porque somos humanos e temos todos os sentimentos cá dentro. Porque só quando somos pequenos ou loucos é que fazemos a clivagem entre bons e maus. Depois vamos crescendo e integrando dentro de nós a ideia de que cada pessoa pode ser simultaneamente boa e má.
E não consigo não fazer o paralelismo com o dia de amanhã, que começa já daqui a uns minutos. O acordar para a vida ou o viver a estória da bela adormecida.
Às 11.12 estarei a trabalhar. Esta é a hora do solstício de Inverno. Portanto vim aqui dizer que vos desejo toda a resiliência do mundo numa nova fase que se avizinha.
E foi bom conhecer-vos.