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sexta-feira, 19 de março de 2021

Ser Pai(drasto) e o Dia do Pai

 Sobre o Dia do Pai numa perspetiva diferente, ou como esta celebração é vivida em famílias reconstituídas.


Já ouviu falar em Step Parenting ou em BlendingFamily? Pois, em inglês soa sempre melhor. Só o uso de certos nomes já é ele todo um gatilho e uma rasteira. A palavra madrasta é madrasta. Entendem o trocadilho?


Este post é para aqueles que não sendo pais, são.

Se não há muitas coisas escritas sobre este tema, então quando se trata de falar no masculino, nada aparece. Hoje resolvi falar destes pais. Não só porque é o Dia do Pai, mas também porque é um tema que me toca, em termos pessoais. Enquanto terapeuta familiar e de casal tenho tido muitas experiências e momentos significativos, mas a minha história pessoal vai ser sempre, para mim, a mais impactante.

Como estava a dizer, quando se toca neste tema, ainda um tanto ou quanto tabu, é sempre na perspetiva da mulher mãe. Muito pouco é escrito do ponto de vista da mãe(drasta) e muitíssimo menos ainda quando se fala do padrasto.

Claro que entendo o porquê, mas está mais do que na hora de nos pormos na pele daqueles que têm muito pouca voz. Empoderar quem deve ser empoderado.


Começamos logo com duas questões: Então pai (e mãe) não é quem cuida? Fartamo-nos de falar sobre isto quando nos referimos, por exemplo, a avós; ou para falar de pais ausentes. E padrastos? Pai continua a ser quem cuida, mesmo quando há um pai biológico presente?

E a outra questão que a primeira reflexão nos remete: Pai (e mãe) há só um?


Precisamos, num mundo com taxas de divórcio tão elevadas, reconsiderar e resignificar estes conceitos, estas questões.


Ser pai(drasto) não é fácil. É servir de modelo parental sem ser pai. Mas ser pai. Mas não ser o pai deles.

É preciso tirar o chip da competição. Aceitar outro adulto na vida dos filhos é difícil. Para todos. Confesso que no meu processo de divórcio foi das etapas mais difíceis. Confesso que quase morri de ciúmes.

Mas é muito importante pormo-nos no lugar do outro, por mais difícil que seja.

Eu não poderei falar, em termos pessoais, do que é ser madrasta. Mas sei o que é ter ao meu lado o padrasto dos meus filhos.


Há, ou deve haver, uma parentalidade partilhada. E nela cabe o pai, a mãe, a mulher do pai, o marido da mãe e outros adultos que tenham funções parentais. Mesmo não sendo "os" pais.

Chegar a uma co-parentalidade positiva não é fácil, é muito difícil que seja fácil, principalmente quando há madrastas e padrastos. E neste momento estou a falar do que é sentido pelos adultos, não pelas crianças - que obviamente transmitem de forma verbal ou não verbal essa dificuldade para os mais novos.


Este tema é um tema em aberto, em casa de cada um de vós. É preferível que o vejam como um workinprogress.


Se tiverem interesse que escreva mais sobre isto, por favor, sintam-se à vontade para o dizer.


Hoje este post é para ele. Já enviei um SMS para o pai dos meus filhos. Mas este post é para o pai(drasto) dos meus miúdos.

Será sempre também pai deles. É pai da Sushi (a gata que adotámos em conjunto) e pai das nossas baby plants.


Nunca pensei dar-lhe um presente no Dia do Pai. Até que essa ideia começou a fazer cada vez mais sentido.


Cada um de nós escolheu palavras para o definir, para o descrever. Conseguem adivinhar qual foi a minha? :)


Agora já todos temos uma caneca personalizada. Só faltava a dele. Poderia

ter sido oferecida num dia qualquer. E hoje foi o dia.


Obrigada por tudo. Feliz Dia para ti meu/nosso Carlos.


E obrigada atelier 18, por estarem sempre prontos para todas as minhas ideias.






sábado, 20 de fevereiro de 2021

Motivação, afetos e emoções

 Muitas vezes acumulamos tensões...emoções que não conseguimos gerir ou regular. 

Podemos pensar neste excesso de emoções como energia mal dirigida ou acumulada.

Este excesso de sentir faz-nos passar por momentos de confusão, de falta de foco, de falta de descanso...assoberbados.

Algumas vezes temos noção de que estamos presos a estes estados emocionais, que geram uma sobrecarga. Mas muitas vezes não temos consciência de onde este mal estar vem.

Esteja ou não ciente do que se está a passar consigo. Esteja a digerir só agora, neste exato momento em que lê estas palavras ou se sempre teve noção da falta de controlo sobre si própria, talvez esteja na hora de aprender a gerir este rodopio de intensidades. Clarear a mente é muito importante. Fazer uma espécie de reset. Digerir e desfocar.

Desfocar e re-focar noutras coisas. 

O que era inconsciente passa a ser consciente. O que era descontrolado passa a ser feito com controlo.

Eu optei por desfocar e canalizar essa energia para o desporto. Sentir as más vibrações a sair e as boas a entrar. E, melhor ainda, conseguir estar 15, 20, 30 minutos sem pensar. E quando sinto raiva perante a dificuldade do exercício, permito-me sentir essa raiva. E até a apreciá-la. E aos poucos vou aceitando, com coisas que são menos dolorosas emocionalmente, a sentir que se somos energia, também somos polarizados. E somos polarizados porque somos humanos. E de repente sentir dor dá algum prazer e é reconfortante. Mas de uma forma saudável.

Estou a aprender a expressar as minhas emoções mal geridas através do movimento. Sempre que posso fazendo descalça. Não sinto a terra, mas estou mais próxima da terra, mais conectada. Sinto-me mais feliz.

Estou a aprender a canalizar e a aceitar todas as emoções através do movimento. Danço, corro, canto, estafo-me, grito e não desisto. 21 dias sem desistir.

Cante, dance, escreva, cozinhe, desenhe, corra...encontre algo que possa ajudar a clarear a mente. A apagar a mente. Para depois estar pronta para recomeçar.







segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021

Sobre o amor e o presente ideal

 Eu já gostei do dia dos namorados, já desgostei e já voltei a gostar.

Como li algures, dizer que não se gosta do dia de São Valentim é tão 2003.

Claro que o dia dos namorados deve ser todos os dias e celebrar o amor não tem data...mas vá lá, deixem de ser rezingões e aceitem que precisamos de mais rituais na nossa vida. Os rituais são, de facto, essenciais. São manifestações ao nível manifesto, simbólico e até inconsciente. Ajudam a exprimir algo que pode não conseguir ser verbalizado noutras alturas ou cujo significado ultrapassa as palavras.


Obviamente que para mim este 14 de fevereiro foi especial. No meu caso, porque me casei ainda vai fazer 2 meses. Mas também foi especial na perceção que tenho do quão diferente e desafiante tem sido viver o amor em tempos de pandemia. 


Espero que continuemos todos a perceber que o amor é vivido no dia a dia, mas que é sempre bom haver dias em que o manifestemos de uma forma significativa. Seja no dia dos namorados, seja no dia em que se conheceram, em que começaram a namorar, em que casaram...

Muitas vezes oiço as pessoas- clientes e não só - dizer que faziam "estas coisas" quando eram novos, ou "no início" e que depois foram deixando de ligar a essas datas. Pois não deixem! É mesmo muito importante celebrar.


A imagem somos nós. Vale dar ao marido, em vez de uma grade de minis, um presente para a casa?

Primeira e provavelmente a única foto do casamento que vamos ter exposta. Então que seja apresentada de uma forma mega original.

As celebrações têm destas coisas. Andei a vibrar sozinha antes de lhe oferecer a moldura. Para mim era muito importante oferecer algo cheio de simbolismo e significado.

Para dois amantes de música. Nós, a nossa música, a nossa data. Tudo num.


Sejam felizes.


Whenever I'm alone with you
You make me feel like I am home again
Whenever I'm alone with you
You make me feel like I am whole again
Whenever I'm alone with you
You make me feel like I am young again
Whenever I'm alone with you
You make me feel like I am fun again

The Cure



Deixo a dica:
REWOODING - Facebook

REWOODING - Instagram










quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

O amor é difícil.

 Acabei de ler um post, daqueles de desenvolvimento pessoal, a dizer para nos afastarmos de quem faça parecer o amor difícil. Então, tenho que vos dizer que têm de se afastar de mim.

Antes de mais gostaria de dizer que gosto muito de páginas de motivação, autodesenvolvimento e autoajuda. Sou das que acho que toda a ajuda conta e que toda a ajuda é bem vinda. Estas páginas não são terapia, mas se as pudermos usar como ferramentas terapêuticas, ótimo. Questionarmo-nos é fantástico. Embora depois sinta necessidade de pedir que tenham cuidado com o inverso, ou seja, com o overthinking. Depende de como usam esse músculo fantástico, que é o pensamento.

Reparem, tudo pode ser visto de uma determinada maneira ou da maneira contrária. Tem muito a ver com as lentes que colocamos. Tal como a frase que encontrei no Instagram: "Afasta-te de quem faça parecer o amor difícil". Eu entendi a lógica, acreditem. A ideia de que há coisas que não têm de ser, de que há relações que não devem continuar, de que tudo o que é muito forçado é um sinal dos deuses ou do universo a mostrar-nos que estamos a escolher o caminho errado. Claro que faz sentido. Entendo a ideia de que há pessoas tóxicas e relações tóxicas e que temos de, a bem da nossa saúde mental, arranjarmos forma de sairmos delas. Entendo e subscrevo a cem por cento.

Há relações que são um martírio. Há situações em que fazemos esforços e mais esforços para nos encaixamos e não conseguimos. Desejamos imenso crescer com o outro, mas só nos diminuímos. E não pode ser.

Tudo certo. Ou talvez tudo errado. Faz mais sentido ser dito assim.


Mas como dizia o Miguel Esteves Cardoso, o amor é...


E era esta reflexão que no fundo queria deixar. Dei por mim a ler aquela frase e a pensar que não queria que as pessoas pensassem que o amor é fácil. Porque não é. Amar dá mesmo muito trabalho. E não pensem que se dá tanto trabalho é porque não é amor. Bem pelo contrário, senhoras e senhores. Se dá trabalho é porque é amor. Temos de passar a vida a fazer com que uma relação funcione. Temos de nos encolher e de nos pôr em bicos dos pés. Temos de condescender e temos de marcar uma posição. Temos de ser flexíveis como um contorcionista. Temos de nos esforçar. São muitas gotas de suor. Muitos risos, mas também muitas lágrimas. 

Passamos por todo este processo sempre a pensar que deveria ser mais fácil, que deveria mais simples. Ao mesmo tempo sempre a querer que seja mais e melhor. Queremos que seja simples, mas somos nós que complexificamos.

E também é difícil porque nos comparamos imenso e isso não funciona para o amor. Cada relação é única e o que resulta para outros pode não resultar para nós.

Amar é difícil. Lidar com a nossa cabeça já é difícil, imaginem o que é ter de lidar com a cabeça do outro. E até com uma terceira cabeça, que é o que nasce daquelas duas personalidades, o terceiro elemento que é o casal.

Um dia na brincadeira uma aluna minha de mestrado, depois de uma aula sobre conflitos conjugais, disse que visto por aquele prisma, provavelmente não se iria querer casar.

Eu ri-me e respondi. A vida é como o casamento. A vida não é fácil. Se calhar ainda não perceberam isso, pela idade que têm. Com todo o respeito pela vossa juventude e por aquilo em que ainda acreditam. Por favor, não deixem de acreditar. Dizem que a fé move montanhas. Mas a verdade é que a vida é tudo menos fácil, mas não é por isso que vamos desistir de viver. 


Quem sabe se não é isso que a torna assim tão interessante...






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