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sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Nunca é tarde

Toca o telefone, os sinos da igreja, a campainha da porta, os acordes de uma guitarra e o velho despertador. Toca e sabes que é um sinal de que é hora de começar de novo. Mas ainda não te sentes preparada, enfias a cabeça debaixo da almofada e tentas calar aquele barulho que no dia de hoje te parece infernal. Ouviste as sirenes a zumbir dentro de ti, mas preferiste ignorá-las porque parece que aparecem sempre na altura errada. Para ti desejas o mundo, mas num silêncio absoluto, total, e aí decides levantar-te e segues em frente, de madrugada, ignorando todos os sinais de alarme. Segues pela rua principal. Deixaste-te simplesmente ir, como se entre ti e a vida fosse tudo tão fácil como um jogo em que uma ganha e a outra perde. Aí ouviu-se um estrondo, mas a tua preocupação estava enevoada ou nem sequer estás suficientemente sã para que algo fizesse sentido. Apercebeste-te nessa altura que já só eras metade do que tinhas sido. E tu, tão senhora de ti, começaste a vaguear, perdida, magoada, cada vez mais desnorteada. Só querias recuperar qualquer coisa que já tinha ficado para trás. O silêncio já era incómodo e os pedaços de ti que faltavam começaram a fazer-te sentir incompleta. E as vozes não se calavam "é tarde", "é tarde". Sim, era tarde para teimar em seres uma réplica do que tinhas sido, uma imagem de ti já ultrapassada ou uma pessoa que não queria ser encontrada. 
Já não sabias o que sentias, não tinhas nome para o que sentias, mas teimavas em continuar a sentir, especialmente aqueles sentimentos que picavam como pontas de alfinetes. como facas de dois gumes. Como fogo a arder, como lume. Mas porque gostas assim tanto tu de sofrer?
Foi preciso um colete de forças, numa sala de um branco Alasca, num silêncio mais profundo do que aquele que qualquer um de nós conseguiria aguentar, para finalmente perceberes que do lado de lá da porta estava uma placa gasta, estilo anos 20, com um grafismo interessante - olha os detalhes a que te foste agarrar para não leres o que lá estava escrito. 
Finalmente tinhas morrido. Ou tinha sucumbido aquela parte de ti que teimavas em não deixar partir. 
Já percebeste tudo? Se sim, não chores. Faz antes o favor de sorrir. 
Porque naquela sala branca, cheia de gavetas e etiquetas, reparas que há um quadro na parede, que não podia ser mais adequado - ou desadequado - depende da perspectiva.
Começar de novo, era o que lá dizia. E pela primeira vez sorriste. Pela ironia da coisa. Ainda há pouco estavas na tua cama a tapar os ouvidos a tudo e agora só querias ouvir um pouco de barulho e estás presa a um silêncio pegajoso, por trás de uma placa que diz que podes começar de novo. Sonho ou pesadelo?
Fazes bem em sorrir. Sorri. Sorri quando a vida deixa de fazer sentido. É o caminho mais difícil, mas acaba por ser o mais corajoso e real. Sorri. E pela primeira vez decides que nunca mais lhe vais perguntar se é mais feliz sem ti. 
Mesmo sentido-te pela metade, sais aos tropeções daquela sala, onde a placa cá fora afasta os curiosos e decides, finalmente, que ainda não é tarde. Aos poucos vais esquecendo aquele sonho ou pesadelo ou realidade. Vais esquecendo amores que não deram certo ou promessas que ficaram pela metade. Esqueces campainhas, acidentes, sofrimentos e vais acordando, à medida que tiras a venda que te colocaram, que tu colocaste. E agora já entendes que o pior cego é aquele que não quer ver. 
Já chocaste de frente, já te quebraste em pedacinhos, já caíste, já te levantaste, já choraste, já pediste ou quase suplicaste. Já quase te perdeste. 
E agora renasceste. E encontraste. E soltaste. Largaste a parte que te estava a manter presa, que não te deixava evoluir. Sorrir.
Ficaste sozinha, mas de ti não vais fugir. Mesmo que ainda permaneça em ti toda a angústia de já não teres alguém ao teu lado para te ouvir, para te desejar, para te querer.. Nem a quem dizeres boa noite, bom dia ou boa tarde, sempre que te apetecer. 
Disseste finalmente adeus à parte de ti que um dia foi tua e perdeste e paraste com as lamurias e foste à luta. E tudo porque finalmente tens contigo o que andavas à procura: A vontade. Lava-a contigo para onde quer que vás e também o quadro a dizer  "começar de novo", ao qual escreveste por cima "Nunca é tarde". 








segunda-feira, 3 de julho de 2017

O parque Aventura, a surpresa para o Bruno e a minha câmara.

Bruno, conhecer-te foi especial. Obrigada por tudo.
Antes de nos irmos embora disse que não te ias ficar a rir porque tinha fotos tuas, género souvenir.
Nunca pensaste ter que fazer o percurso para os apanhar lá do alto, pois não? Mais um corajoso. E ainda por cima sempre a proteger a máquina. Cá de baixo tirei  algumas, tuas e deles.Espero que gostes. Espero que o Parque Aventura adore.

Beijinhos e muito obrigada Bruno Lé Photography. Temos mesmo de repetir!

https://www.facebook.com/BrunoLe.Photography/

Obrigada Parque Aventura pelo excelente acolhimento.

https://www.facebook.com/ParqueAventuraPT/






















































quarta-feira, 28 de junho de 2017

Nós, Parque Aventura e Bruno Lé


Desde que o Sky Garden (Coimbra) fechou que queríamos uma alternativa.
Marcámos, tudo a postos, muito divertimento e muita emoção. Desde a Conchinha ao Vicente.

Sediado desde 2008 na Figueira e só há pouco tempo demos com o parque. Monitores fantásticos, sempre prontos a ajudar e nada apaga ou faz esquecer o brilho dos olhos dos meus filhos.

Basicamente trata-se de arborismo, utilizar as árvores, percorrendo de árvore em árvore, e a sua altura, para fazer diferentes percursos, com diferentes níveis de actividade.
A parte de eles se poderem se exceder fisicamente provoca-me arrepios na pele e uma sensação de orgulho. Contraditório, não?
Todos eles vão tendo uma tomada de consciência das suas capacidades e até onde podem ou não avançar.

Ver a Concha a fazer o mais soft e fazer uma pequena birrinha porque queria avançar para o seguinte, apesar de não ter idade: ou de ver o Vicente a acompanhar os manos mais velhos foi indescritível.

Resolvi convidar o Bruno Lé Photograpy, que tirou fotografias espantosas. Sabem que já trabalhei com vários fotógrafos e vem altamente recomendado por mim, para toda a zona centro, especialmente Coimbra e Figueira.

Esqueçam as fotos de casamento obsoletas. O Bruno é o vosso rapaz.... e de uma educação extrema.

Tenho uma surpresa para ele e não só. também levei a Canon e espero apresentar-os um segundo post com fotos tirados por mim. Não chegam aos pés das dos bruno, mas já fica o mimo, até porque são as únicas onde vemos o Bruno a trabalhar.


Muitos parabénss e muito obrigada Parque Aventura / https://www.facebook.com/ParqueAventuraPT Obrigada por todos os momentos proporcionados.

Obrigada Bruno Lá Photography por termos fotos lindas para mais tarde recordar.


beijinhos

Sofia



















































sexta-feira, 16 de junho de 2017

Um sítio mágico e conversas sobre nós


2 anos depois voltámos e já não era sem tempo.
Basicamente 2 anos em que eles não pararam de falar deste sitio, que para eles é, de alguma forma, mágico.
Acontecem-nos sempre as coisas mais engraçadas. Tinha o Afonso acabado de dizer "Só me faltava encontrar por aqui alguém conhecido" e bam, chega à sala de refeições e dá logo de caras com a professora de biologia deste ano. Depois de um sorriso envergonhado vira-se para mim e diz "Não faz mal, mãe. Esta stora é impecável"!

O que mais posso dizer? As fotos falam por si!
Vejam as de Maio de 2015 (aqui e aqui) e comparem-nas com as de Maio de 2017.
Todos sabemos que crescemos e que as coisas mudam e que os miúdos estão cada vez menos bebés e os mais velhos mais teens...mas visualizar e ver estas fotos é perceber como a vida pode realmente mudar em 2 anos....num segundo.

É difícil por vezes acertar com o tom dos posts. Ou parece que nos andamos sempre a divertir e que estamos todos mentalmente sãos como um pero, ou lá sai umas palavras mais fortes que vos leva a empatizar com a nossa dor e a aperceberem-se que afinal a nossa vida é tão complexa e meio louca quanto a vossa. Talvez um pouco mais, talvez um pouco menos.
Sim, temos passados momentos muito tristes e outros mais ou menos e outros que damos a camisola para que a vida saía quase perfeita. Este no Gôlf Mar foi um deles.


O meu filho mais velho acha que eu não devia ter-nos exposto tanto, falando da guarda alternada. Obviamente que também sei que o ouviu do seu pai, mas eu juro que não quero ir por aí.

O que é que eu quero? Continuar na minha, ir escrevendo umas coisas e outras, mas nunca me sentir presa ou boicotada por falar das coisas menos boas, ou muito más, que nos vão acontecendo.

Foi incrível ler as vossas estórias e saber que tantos passam pelo que passámos, pelo que andamos a passar. E se se sentiram conectados, se ajudou alguém, se normalizou algumas questões, melhor ainda.

E quero poder falar de mais coisas. Das nossas coisas É difícil ter um blog e não falar de nós, das nossas alegrias, das nossas tristezas, das nossas lutas. Por vezes sai de lá um desabafo, outras uma reflexão mais ponderada e outras apenas uma piada. Porque a vida é mesmo assim. Nem só maravilhas, nem só desgraças.

 Gosto muito do meu blog. Gostava de poder continuar fiel a mim mesma.

Se conto tudo? Nunca contei. Claro que não. Que pergunta tola. Se há coisas que não conto e adoraria contar? Claro que sim? Quem não?
Se conto aquilo que acho que devo contar? Ando à procura desse equilíbrio o mais possível.

Quem somos nós? A pergunta ficou ali sem resposta. Continuamos em construção.

Sou psicóloga e adoro e nunca deixarei de ir buscar essa minha identidade. Tal como professora. Foi difícil aceitar que era professora e agora é das coisas que mais gosto de fazer. Porque sinto que já tenho a experiência clínica e de vida para o fazer bem feito. Sou mãe de 4. Também me questiono se quererei ser algum dia mãe de 5.
Temos dias bons e há dias tão stressantes que só me quero fechar no quarto e barricar-me deles. E tenho dias que choro bastante por não os ter comigo e o coração parece que rebenta, tal o desatino.
Sou mãe e quero falar nisso. Sou divorciada e quero falar nisso. E tenho um anel no dedo e quero falar nisso!

As coisas vão fluindo a seu tempo. Vamos reconstruir a casa até sabermos outra vez quem somos.


Para já o mais giro é verem este montão de fotografias onde se vêem caras felizes. Porque estes somos nós. Tal e qual o nome da série pela qual estou completamente apaixonada. Estes somos nós. Temos drama, muito humor, muita acção, brigas, amor. Como todos nós. Não há famílias perfeitas. Já ouviram isto algures, não já? Mas se me perguntarem se devemos fazer algo para que a nossa família seja um pouco mais perfeita do que é, o que é que eu respondo? Claro que sim. Muitas vezes cristalizamos em formas de funcionar que têm de ser desbloquadas. Se construímos os problemas e nos metemos em determinadas situações, também seremos capazes de os desconstruir e sair deles. Por isso um dia chora-se, no outro compram-se lenços - sim, é como casa roubada, trancas na porta. Muitas vezes compramos lenços só depois da tragédia chegar e nessa altura é que vamos comprar lenços e a caminho da loja ainda somos capazes de pensar o que podíamos ter feito de diferente, para que nem os lenços fossem precisos comprar. E assim, no dia a seguir levanta-se a cabeça e pensa-se em maneiras de sair da crise onde nos metemos, seja ela financeira ou emocional.  Arranjamos estratégias, damos a volta ao texto, enchemo-nos de mantimentos. E aproveitamos a paz. Aproveitem bem os momentos de paz. Porque depois recomeça tudo outra vez e outra tempestade chegará.


Beijinhos.
Obrigada por nos acompanharem.


Ô Golf Mar e Vimeiro Clube Aventura - obrigada por este bocadinho de paz.












































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