Há dias em que tudo corre mal, não há?
E os piores são aqueles imprevisíveis. Em que estás na tua, a desfrutar de uma vida normalzinha, vá, e de repente o céu parece cair-te em cima da cabeça.
E quantas vezes, em vez de arregaçares as mangas só te apetece vestir a tshirt velhinha de trazer por casa, aquela a dizer "Olá, sou miserável" e tapares-te até ao pescoço, fechares portas e correres as persianas até abaixo e esqueceres que a vida existe? Ou melhor; quantas vezes consegues pensar, depois de uma hetacombe, "que se lixe"?
O problema é que sabes que a vida nunca se vai lixar. Se alguém tiver de se dar mal, esse alguém não há-de ser a vida, pois não? Queria dizer isto de uma forma mais fofinha e serena, mas não sei como. Somos nós que pagamos um preço bem alto por vivermos tudo com tanta intensidade. E isso não tende a melhorar.
E nesses dias, já para não falar dos outros, em que os pequenos ajustes do dia a dia te deixam com o corção a palpitar, a bater mais rápido...aqui simplesmente parece que te vai saltar do peito.
Porquê a mim? Porque é que tudo parece correr mal comigo? É o stress. Esse nosso grande inimigo. Pronto, é isso. Valerá a pena falar mais sobre algo que já usamos como palavra do dia a dia, como se fizessem parte de quem somos, da"la famiglia"? Bem, tem de se falar. Porque quando começas a sentir isto todos os dias, ou quase todos os dias, por causa do trabalho, por causa da relação com o marido, por causa dos filhos, por causa da falta de tempo, por causa das mil quinhentas e quatro decisões que tens de tomar quase de seguida...o stress passa a ser crónico e nunca mais te vai largar, por mais que o queiras dar- lhe um grande chute no traseiro. Esse stress mata, deixa sequelas irreversíveis, dá cabo de quem és ou querias ser, da tua auto-estima. Claro que temos sempre a hipótese de ignorar os efeitos desta "pessoinha" miserável e mesquinha e continuar a viver como se ela não existisse. Mas até quando vamos conseguir aguentar? Se for de quando em vez ainda é possível. Todos os dias? Nem pensar.
O stress pode acabar connosco e é importante que se fale nisto. Porque a medicação não chega para resolver tudo. Embora ajude, se bem administrada, nas doses certas e não para toda a vida.
E se calhar, pode parecer estranho ou até já é algo bastante batido, o stress não existe de facto. Sim, há muitas pessoas que conseguiram e conseguem, efectivamente, passar por aquilo que passamos e lidar razoalvelmente bem com isso, sem o tal Mr Monster, the Stress a atrapalhar.
Isso significa que, depois de tanta coisa, ele não existe? No fundo, a verdade é que não são os factos em sim que são stressantes, mas a forma como os encaramos, como lidamos com eles.
Bem, nem tudo. Há coisas que acontecem porque acontecem e fariam doer a qualquer pessoa, e fariam sentir raiva e o coração com a sensação de que acabou de correr a maratona de Lisboa, Londres ou Sevilha. Porque é a chamada causa efeito.
Mas no stres há qualquer coisa entre a causa e o efeito, que são as nossas cognições, as interpretações que colocamos naquilo que acontece.
Se formos chamados à escola do nosso filho porque ele faltou às aulas, se batermos com o carro, se a nossa chefe nos ligar a ameaçar que podemos estar quase a ser despedidas...isto só deixa uma mossa valente porque são coisas com as quais nós nos importamos, que mexem connosco, que põem a nossa cabeça num virote a pensar no que vai ou não acontecer a seguir e, quase sempre, a pensar nas piores consequências e na falta de forças e capacidades para lidar com tanta coisa junta. Sem isso não há stress.
O stress aparece da forma como nós lemos e lidamos com os acontecimentos com que nos vamos deparando na vida. São as nossas vozes interiores e a forma como olhamos as coisas que causam a ansiedade, nunca o acontecimento per se. E, mais uma coisa, obviamente que não o fazemos conscientemente. O mais certo e provável e que não nos damos conta é que todo este processo acontece dentro de nós, que dificulta muito mais as resolução dos problemas porque dificilmente conseguimos pôr a voz da razão a falar mais alto. A voz da razão que ajuda que um problema só seja um problema dentro da nossa cabeça. Mudando a música ou banda sonora que vem nesse momento aos nossos ouvidos, e que muitas vezes custa a desaparecer, tudo muda.
Porquê a mim? Porque é que tudo parece correr mal comigo? É o stress. Esse nosso grande inimigo. Pronto, é isso. Valerá a pena falar mais sobre algo que já usamos como palavra do dia a dia, como se fizessem parte de quem somos, da"la famiglia"? Bem, tem de se falar. Porque quando começas a sentir isto todos os dias, ou quase todos os dias, por causa do trabalho, por causa da relação com o marido, por causa dos filhos, por causa da falta de tempo, por causa das mil quinhentas e quatro decisões que tens de tomar quase de seguida...o stress passa a ser crónico e nunca mais te vai largar, por mais que o queiras dar- lhe um grande chute no traseiro. Esse stress mata, deixa sequelas irreversíveis, dá cabo de quem és ou querias ser, da tua auto-estima. Claro que temos sempre a hipótese de ignorar os efeitos desta "pessoinha" miserável e mesquinha e continuar a viver como se ela não existisse. Mas até quando vamos conseguir aguentar? Se for de quando em vez ainda é possível. Todos os dias? Nem pensar.
O stress pode acabar connosco e é importante que se fale nisto. Porque a medicação não chega para resolver tudo. Embora ajude, se bem administrada, nas doses certas e não para toda a vida.
E se calhar, pode parecer estranho ou até já é algo bastante batido, o stress não existe de facto. Sim, há muitas pessoas que conseguiram e conseguem, efectivamente, passar por aquilo que passamos e lidar razoalvelmente bem com isso, sem o tal Mr Monster, the Stress a atrapalhar.
Isso significa que, depois de tanta coisa, ele não existe? No fundo, a verdade é que não são os factos em sim que são stressantes, mas a forma como os encaramos, como lidamos com eles.
Bem, nem tudo. Há coisas que acontecem porque acontecem e fariam doer a qualquer pessoa, e fariam sentir raiva e o coração com a sensação de que acabou de correr a maratona de Lisboa, Londres ou Sevilha. Porque é a chamada causa efeito.
Mas no stres há qualquer coisa entre a causa e o efeito, que são as nossas cognições, as interpretações que colocamos naquilo que acontece.
Se formos chamados à escola do nosso filho porque ele faltou às aulas, se batermos com o carro, se a nossa chefe nos ligar a ameaçar que podemos estar quase a ser despedidas...isto só deixa uma mossa valente porque são coisas com as quais nós nos importamos, que mexem connosco, que põem a nossa cabeça num virote a pensar no que vai ou não acontecer a seguir e, quase sempre, a pensar nas piores consequências e na falta de forças e capacidades para lidar com tanta coisa junta. Sem isso não há stress.
O stress aparece da forma como nós lemos e lidamos com os acontecimentos com que nos vamos deparando na vida. São as nossas vozes interiores e a forma como olhamos as coisas que causam a ansiedade, nunca o acontecimento per se. E, mais uma coisa, obviamente que não o fazemos conscientemente. O mais certo e provável e que não nos damos conta é que todo este processo acontece dentro de nós, que dificulta muito mais as resolução dos problemas porque dificilmente conseguimos pôr a voz da razão a falar mais alto. A voz da razão que ajuda que um problema só seja um problema dentro da nossa cabeça. Mudando a música ou banda sonora que vem nesse momento aos nossos ouvidos, e que muitas vezes custa a desaparecer, tudo muda.
Se queremos mudar a nossa forma de viver temos de deixar de pensar que o stress faz parte do dia a dia da vida moderna.
Quem não se sentiu stressado nos últimos dias ou nas últimas semanas (e já estou a ser condescendente. Devia dizer últimas horas?)? Quem não sentiu medo?
Mais facilmente dizemos que sentimos stress do que sentimos medo, mas no fundo as duas vêm de mãos dadas.
Até o stress que sinto de ter obras no prédio todo o santo dia é uma forma camuflada de ter medo de não conseguir trabalhar em casa, de descansar o suficiente, de estar em paz com os meus filhos. O stress que sinto quando vejo os meus filhos a brigar é o medo que tenho de não me sentir uma boa mãe ou o medo da falta de tempo para eles. E podíamos continuar assim eternamente.
Mais facilmente dizemos que sentimos stress do que sentimos medo, mas no fundo as duas vêm de mãos dadas.
Até o stress que sinto de ter obras no prédio todo o santo dia é uma forma camuflada de ter medo de não conseguir trabalhar em casa, de descansar o suficiente, de estar em paz com os meus filhos. O stress que sinto quando vejo os meus filhos a brigar é o medo que tenho de não me sentir uma boa mãe ou o medo da falta de tempo para eles. E podíamos continuar assim eternamente.
Algum stress é positivo, alguma ansiedade faz com que nos preocupemos e decidamos ser melhores. Mas calma. É preciso meter medo ao medo e dizer que nos estamos a borrifar para uma série de coisas, que somos mais fortes do que isso. Das primeiras vezes vai parecer falso e vai apetecer desistir. Aos poucos vamos sentindo que o coração já não nos quer sair pela boca e que tudo tem, mesmo, uma solução.
Que a vida não está para nos lixar, que isso é feio demais e não fica bem dizê-lo num texto tão elegante. A vida está cá para nos para nos pôr à prova. E somos nós que escolhemos a banda sonora, os argumentos, as discussões, o guião...o medo...que passa ou não passa nessa altura pela nossa cabeça. Aliás, pelo nosso corpo todo.
Afinal como diria muita gente, segundo a internet (desculpem, mas não encontrei o verdadeiro autor da frase), para todos os problemas há uma solução. E parar de viver com medo parece-me uma bastante adequada. Tal como aprender a ter a sensação que controlamos o que nos acontece e que não é precisamente ao contrário. E que facilmente perdemos o controlo sempre que algo mexe connosco.
Se nunca mais vamos sentir medo? Vamos. Se vamos sentir que perde o controlo de vez em quando não é normal? É. Se o stress não vai ganhar algumas batalhas? Vai. Que o stress é causado pela forma como nós pensamos e não pelos outros? É verdade. Mas se não vivermos obcecados com isso a vida ganha um novo sentido. É uma verdadeira mudança de foco. Uma mesmo grande. Talvez a maior proeza seja deixares de sentir que não és uma vítima, a vítima da tua própria vida. Sentires-te uma vítima é perderes todo o poder que tens dentro de ti. É perderes a força, a auto-estima e até o auto-conceito - saberes quem és e/ou a ideia que tens de ti próprio.
E aproveita para ensinares com palavras, mas principalmente com exemplos, tudo isto aos teus filhos.
Que a vida não está para nos lixar, que isso é feio demais e não fica bem dizê-lo num texto tão elegante. A vida está cá para nos para nos pôr à prova. E somos nós que escolhemos a banda sonora, os argumentos, as discussões, o guião...o medo...que passa ou não passa nessa altura pela nossa cabeça. Aliás, pelo nosso corpo todo.
Afinal como diria muita gente, segundo a internet (desculpem, mas não encontrei o verdadeiro autor da frase), para todos os problemas há uma solução. E parar de viver com medo parece-me uma bastante adequada. Tal como aprender a ter a sensação que controlamos o que nos acontece e que não é precisamente ao contrário. E que facilmente perdemos o controlo sempre que algo mexe connosco.
Se nunca mais vamos sentir medo? Vamos. Se vamos sentir que perde o controlo de vez em quando não é normal? É. Se o stress não vai ganhar algumas batalhas? Vai. Que o stress é causado pela forma como nós pensamos e não pelos outros? É verdade. Mas se não vivermos obcecados com isso a vida ganha um novo sentido. É uma verdadeira mudança de foco. Uma mesmo grande. Talvez a maior proeza seja deixares de sentir que não és uma vítima, a vítima da tua própria vida. Sentires-te uma vítima é perderes todo o poder que tens dentro de ti. É perderes a força, a auto-estima e até o auto-conceito - saberes quem és e/ou a ideia que tens de ti próprio.
E aproveita para ensinares com palavras, mas principalmente com exemplos, tudo isto aos teus filhos.
E tira um tempo para ti, vai espairecer, beber o tal vodka porque, tal como o céu parece que nos vai cair em cima da cabeça, mas não vai, o vodka nunca sairá pelo chuveiro e te resolverá a vida. A isso cabe-te a ti. Tira a t-shirt, arranja-te, vai beber um copo (que um não mata, nem te fará cair em desgraça) - parece que a bebida da moda já nem sequer é o gin, mas Porto branco com água tónica - e começa a arranjar estratégias para seres feliz.