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quarta-feira, 19 de junho de 2013

Detox de 28 horas e um salto no vazio


Há 28 horas que não vinha ao mundo virtual. 
Estou diferente desde ontem. Ou sinto-me diferente, não sei.



Sou especialista teórica em wild therapy e adventure therapy, mas nunca tinha experimentado actividades radicais (excepção para o paintball). Não gosto de alturas, não gosto de me atirar para o desconhecido, não sou mariquinhas, mas também não sou muito afoita. Essencialmente sou muito racional, o que nem sempre é bom.



E ontem fui com um grupo fazer arborismo, slide, escalada e queda livre. E foi revelador.

Saltei de 13 metros de altura, andei entre cordas, a mais de 50 metros de altura, trouxe nódoas negras, os músculos doridos, alguns pensamentos dentro da cabeça e essencialmente muita PAZ.

Vi o meu filho fazer todos os percursos, T-O-D-O-S. O último eu não arrisquei, tão difícil que era. E ele fê-lo, só com uma mão. A muitos metros do chão, agarrado a cordas, a passar de uma árvore para outra, só com a força de um braço.

Foi tão bom tê-lo levado. Foi tão bom tê-lo visto a fazer aquilo tudo. O respeito e a admiração por ele cresceram tanto. Estava toda a gente maravilhada, não há palavras. O Afonso fez tudo e sempre em primeiro lugar. A única criança, de resto éramos todos adultos.



Eu pus os meus limites à prova e agora percebo o que devem sentir os concorrentes do Splash (só não percebo muito bem irem fazê-lo para a televisão, mas com calma também se entende).



Quis desistir tantas vezes, tive vontade de chorar e só pensava “o que é que estou aqui a fazer?”. O salto em queda livre é indescritível. Não é o salto, antes fosse. É que temos de ir a andar, dar um passo para o abismo, sair de poiso firme e deixarmo-nos simplesmente cair no vazio.



Curiosamente num desses momentos complicados pensei no blog e criei uma ponte e construí metáforas.

Não sei se é momentâneo, mas tenho sentido menos gozo com a minha vida virtual.

Guerras entre blogs, cópias entre blogs, perfis falsos, usurpação de imagens, comentários anónimos, relações entre marcas e blogs, exigências, pedidos, likes… Valem o que valem, valem o valor que lhes quisermos imputar…mas se dermos demasiado valor às coisas, valem muito. E eu estava a dar demasiado valor. 



Tantas pessoas que ganhei e tantas que perdi, tantas bloggers que se aproximaram e tantas que se afastaram. Ter descoberto que o mundo dos baby blogs é um mundo feroz é algo que está a deixar mossa. 



Sempre dei a cara, sempre defendi aquilo em que acredito, sempre lutei contra vilões, sempre me empenhei em desmascarar casos de identidades falsas. Mas isso acarretou muito desgaste, muito e muito desgaste.



Essencialmente tenho de reequacionar o que é que é essencial e o que é que é supérfluo na minha vida.


Embora equacione todas as possibilidades, talvez não seja tanto a questão de deixar de escrever, mas de não trazer tanto lixo psicológico agarrado a mim, dia após dia, para dentro da minha casa, para dentro da minha vida, para perto da minha família.


























SkyGarden, na mata do Jardim Botânico. Em Coimbra.
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