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quarta-feira, 5 de julho de 2017

O meu filho ficou retido


Ficou retido? Na escola, na esquadra, no ano escolar? O Afonso vai repetir o 11º ano porque…quis.
Porque não tem capacidades? Havia alturas, confesso que para mim mesma, eu preferia que fosse isso. Não, na verdade o Afonso tem capacidades, mas um profundo desprezo pelas matérias escolares. É que eu nem posso dizer que é pela escola, porque gosta de estar ali, quer continuar e não me pediu uma única vez para mudar.
O que o Afonso quis,  ao crescer e  tornar-se um adolescente com mais consciência, foi tomar a sua decisão. Uma decisão tirada a ferros. Não é a mesma coisa do que ter-nos dito um dia:   eu quero e preciso de reprovar.
Não, o Afonso nunca foi um miúdo que chegasse a casa e nos tivesse algo para contar, mesmo que fosse bom para ele.

Falar com o Afonso é a coisa mais difícil do mundo. Desde sempre. No 3º ano era assim: “O que foi o almoço, meu amor? “Já não me lembro”; “No 11º ano “Então a Concha está a fazer o quê – tentando saber um pouco mais deles, quando estão com o pai. Resposta:” Se queres saber a verdade, nem reparei”.
E os meus filhos não são todos assim. Por exemplo, os mais novos engalfinham-se para dizerem primeiro o que foi o maravilhoso repasto que a empresa mandou para a cantina – e coitadinhos, nem um dia se queixaram.

Portanto, nunca tive o Afonso a entrar-me pela porta dentro a dizer :” temos de ter uma conversa” ou “eu tenho de reprovar.”

Ele sabia que por todas as razões e mais alguma, isso ia dar cabo de mim. Comecemos pela mais óbvia: os nossos últimos dois anos não têm sido propriamente perfeitos, nem pacíficos. Precisava tanto que a crise não nos atingisse a todos, mas uma crise familiar é mesmo assim. As mudanças acontecem e nem sempre são fáceis.

E depois, porque isso vem lá de trás, de muito atrás. Têm tempo? Puxem uma cadeira e leiam com atenção.

O Afonso  já com 1 ano fugia para a sala de 2 e todos achavam piada e era ali que devia estar, se ele queria. Nessa altura, tenho quase a certeza de que não ficava muito orgulhosa. Mas lembro-me de achar que ele parecia desenquadrado entre o que sabia e o que os outros meninos faziam.

O Afonso teve um problema. E ainda não é desse que vamos falar. O Afonso teve o problema de nascer em Janeiro e ainda que não sejamos génios, quem nasceu em Janeiro na minha família não teve um percurso normal. A minha irmã mais nova  entrou logo no  2º Ano e o Afonso fez  o primeiro ano, enquanto devia andar a correr e a saltar e a fazer teatros na pré.
Com uma agravante ainda maior. Andava no Jardim Escola João de Deus, onde se aprende regras, disciplina, a ler e a escrever – através da cartilha maternal – no último bibe da pré- escolar. O bibe azul.
Parece-me assim que  lhe roubámos um ano de brincadeira e de não fazer nada e de pensar nas estórias da carochinha, para fazer coisas sérias, como ler estórias – não só juntar palavras, mas ler estórias e fazer contas e começar a perceber o que era a abstração. Quando ele só queria era brincar. Foi diagnosticado com défict de atenção e hiperatividade. Claro….se não era ali o lugar onde devia estar. E todos nós deixámos correr.  E eu fui muito culpada.
Sinto para mim que lhe roubámos dois. O último ano da pré e o 1º ano, quando ele devia ter ficado na pré. Numa pré de brincadeiras e sem grandes obrigações.

Nessa altura ele já tinha tido o avc e já tinha sido avaliado e era claro: um menino de 5 que cognitivamente tinha capacidades de mais de 7. E a parte emocional? Essa décalage? Essa décalage vai diminuindo com os anos, dizia-se. Mas não diminuiu. E se eu soubesse o que sei hoje, tudo teria sido diferente!!!!!!!!!
Naquela altura estava ainda a fazer o  luto por aquilo que lhe tinha acontecido e por saber que ele teria de fazer não sei quantas coisas adaptadas. Ele não conseguia atar os atacadores ou abotoar a camisa e  demorava o triplo do tempo a fazer fosse o que fosse, mesmo a lavar os dentes ou a cortar o bife.

E eu, ao mesmo tempo que chorava pelo meu filho que tinha limtações físicas, sentia-me orgulhosa das suas capacidades  cognitivas. Ele conhecia as marcas de todos os carros, sabia os nomes das capitais dos países mais longínquos e decorava tudo aquilo a que achava piada. Continua a ser assim.
E a parte emocional? Que se lixe isso. Mentira, sejamos honestos! E eu preocupava-me. Quis tanto perceber que o levei ao prof. Eduardo Sá. Estava tudo bem com ele. Ele era feliz. E nós deixámo-lo seguir, porque “ele era feliz”.
E era…. mas todos os anos era eu que o ouvia: porque é que estou com esta turma? Quando eu faço anos, já alguns fizeram um ano a mais.  E um dia disse-me alto e bom som que não queria ser o mais novo da turma. Não gostava disso, não se sentia bem com isso, fazia-lo sentir-se diferente.
Estando na adolescência, sendo ainda por cima rapaz, imaginam o que isso significava? Ele estava desenquadrado ali.
Que eu saiba nunca foi vítima de bullying na escola. Mas de cada vez que um professor faltava, ele vinha para casa.

E eu não conseguia perceber – parece agora mais simples, não é? Mas não é.
Um dia entrei recentemente no seu no quarto de teen e ele tinha lá o boneco que lhe levámos ao hospital quando teve o avc, aos 3 anos, quase 4. O Afonso não fala a sério. Nunca ninguém chegou ao que se passa lá dentro. Meio na brincadeira, que é a forma que eu tenha de chegar a ele, mas com todo o respeito,  perguntei-lhe porque é que aquele boneco estava ali e num lugar tão visível, não lá atrás, escondido no roupeiro. “Porque foi muito importante para mim receber esse boneco e eu não me esqueço de nada”.

Juro que nessa noite adormeci e acordei a pensar: tive uma epifania. O Afonso vai reprovar porque quer, porque precisa de encontrar a sua tribo – e quando eu vejo as meninas que já foram da sala dele há muitos anos atrás, com mil fotos no instagram, quais modelos profissionais, percebo que aquela não é, definitivamente, a tribo dele.
Sei que  ele se relaciona  com os miúdos e miúdas do 8º , do 9º e alguns do décimo, porque, pela primeira vez, se sente respeitado como mais velho.

Obviamente que fica sempre confuso: foi tudo uma  negação de todos estes anos e agora veio, de repente, no meio da noite, a grande revelação. Aconteceu.

Ele reprovou, não foi sequer fazer os exames e eu zanguei-me muito pouco com ele, porque tenho fé que esta paragem o faça crescer nas emoções, nos contactos sociais, nas experiências com os miúdos certos.

Nunca se volta atrás, mas, se pudesse, eu voltaria, as vezes que fossem precisas. E uma coisa é certa, uma criança não deve andar à frente da sua idade cronológica, da sua idade mental, da sua idade emocional. Isto é muito, muito mais sério do que parece.

Este foi dos posts mais didíceis que já escrevi, mas não estou minimamente procupada com as críticas alheias. Para mim foi bom perceber,  finalmente,  desabafar e deixar um conselho que me parece essencial. As crianças não ganham nada de nada em começar mais cedo o percurso escolar.
Eu achava que ele ia sofrer muito porque ia deixar a turma para trás, porque já vinha com eles da pré. Nunca se saberá quando seria a altura certa para ele parar, para não se sentir desenraizado.
Mas aos 16 foi ele a escolher. E espero que seja uma das melhores decisões da vida dele. Que ele se enquadre, que mature e que se motive para continuar o seu caminho, sendo feliz com isso. É o que eu mais quero.


O Manel passou para o 8º com 3 e 4s, o Vicente com tudo Muito Bom e a Conchinha vai começar um mundo novo em Setembro. Que seja muito feliz e que a saibamos sempre orientar. Que a estrelinha da sorte ou o anjo da guarda ou a minha avó a amparem. 

sábado, 1 de agosto de 2015

"AVC em crianças, casos raros, mas reais"

Por ser cada vez menos raro, porque as crianças não estão imunes, porque já passámos por isto, não posso deixar de partilhar.
Estou a passar uma fase particularmente difícil com a mudança de escola, de uma escola mínima para uma escola enorme. Vai para o 10. ano e a 1 mês de fazer 4 o nosso mundo foi abalado como um tsunami - e tinha outro filho com 7 meses na altura. E de repente eu desdobrei-me em duas, desdobrei-me em dias, em muitas e realmente quase com dupla personalidade. E não, nunca recebi sequer um cartão ou um ramo de flores do meu local de trabalho. Tinha um filho com 7 meses que cresceu mais por sua conta e risco, porque estávamos todos focados na doença e nas sequelas. E é o meu filho mais sensível, o que tem alma de artista. E também estivemos a fazer o luto por uma melhoria que nunca iria chegar. Só que sem flores e sem condolências. O luto do filho imaginário, que foi real durante 3 anos e 11 meses, para o filho real, que era um novo filho. Só para que tenham uma ideia, um miúdo que aos 3 anos escrevia o nome todo com a mão esquerda, que fazia tudo à esquerda e que ficou com o lado esquerdo paralisado. 
O Afonso tinha uma artereopatia intracraniana, que com o tempo ia acabar por se resolver. Mas o tempo não deu tréguas e antes disso presenteou-o(nos) com um avc isquémico, um ait, um diagnóstico chamado MoyaMoya e a inevitabilidade de uma morte prematura, horrível. Já em Santa Maria a certeza de que não era isso, a incerteza do que seria. Foi uma médica em Londres que fez o diagnóstico. O problema do Afonso era essencialmente físico/motor. E começaram anos de reabilitações que não resultaram em nada.
Mesmo assim foi submetido a testes psicológicos, e acabou por entrar mais cedo no 1. Ciclo.
As sequelas físicas não vão desaparecer. Nunca. Parece uma coisa menor, não parece? E até é. Mas custa mais do que possa parecer. Se ficaram outras sequelas, outras formas de ser, nunca saberemos. Se ele é mais desligado e apático em relação a tudo o que não lhe interessa, por causa do avc, ou simplesmente por ser uma característica dele, nunca saberemos. 
A parte mais triste é a ignorância e a falta de humanidade de algumas pessoas, curiosamente das mais crescidas. Uma das coisas que já me marcou muito? Uma mãe que foi falar com a professora de educação física por não perceber como é que o meu filho tinha tido 5 e a dela só 4. Há planos individualizados, sabem? E mesmo que não soubessem, tinha feito muito melhor figura se tivesse ficado calada. Será que ela não parou um minuto para pensar que eu daria tudo para que fosse ao contrário?
Cada nova etapa é um medo cá dentro. Cá dentro do coração da mãe. Ele está desejando de voar.
O Afonso teve 3 a Matemática no exame de 9. Ano e 4 a Português. Os serviços de psicologia e orientação dizem que tem um excelente desempenho intelectual e um desempenho mnésico com excelente performance. Mas isso não se nota nas notas. Um 3 é mais do que suficiente para ele. Talvez não tenha espaço mental, como os psicólogos têm a mania de dizer, para pensar nas coisas da escola, quando a cabeça dele é povoada por dúvidas e interrogações e outros interesses. Se estas incongruências se devem ao avc? Temos de aceitar que NUNCA saberemos.

Tenho medo do bullying, tenho medo do futuro. Mas o meu maior medo é que vos aconteça a vós e que não estejam preparados. Tinha 28 anos e olhei para isto tudo como um boi para um palácio.
Por isso partilhem, divulguem. Dêem a conhecer doenças raras, que de raras têm cada vez menos.

Bem-hajam




Mil obrigadas por todos os comentários LINDOS que me deixaram no facebook.

domingo, 25 de janeiro de 2015

Continuar a surpreendê-lo começa a ser um desafio

"Mãe, foi mesmo espectacular. Obrigada!"

Foi assim que terminou o nosso dia de sábado, que não foi o dia de anos do Afonso (dia 21), mas o dia em que ele usufruiu dos presentes que lhe demos.

Como escrevi aqui, tinha pensado em duas surpresas, se o tempo o permitisse, e o maravilhoso sol de sábado deixou que vivêssemos o dia em pleno.

Quando fomos ao espectáculo no Campera (ver aqui), vimos que havia um circuito de karts e o Afonso não parou de falar nisso.
Nunca tinha experimentado e, claro que tenho sempre preocupações acrescidas com ele neste tipo de actividades, porque um dos braços do Afonso não funciona (resultado do avc que sofreu há 10 anos).

Telefonei para lá, marquei e a equipa foi impecável. Ele não fazia ideia, porque este presente não lhe dei na quarta, só o outro (já lá vamos). Ele estava a pensar que íamos às compras e, afinal, a primeira coisa que fizemos foi levá-lo ao kartódromo. Que pena ser tão longe, porque teria sido fantástico poder levar alguns amigos também.

Nós aplaudimos, gritámos por ele, tirámos fotos e ele divertiu-se IMENSO. Vinha com uma sensação de empowerment fantástica, que lhe fez muitíssimo bem à alma.

Infelizmente o Manel não pode andar porque os responsáveis pelo espaço são, com toda a razão, bastante exigentes com os requisitos de admissão na pista: 1,50m. Mas os três ainda brincaram um pouco na pista infantil que fica mesmo ao lado.

E depois fomos às compras... mas desta vez eram compras muito especiais.
Pois é, a ideia que tive para o surpreender este ano foi oferecer-lhe um cartão presente. Optei pelo Campera porque sabia que ele ainda conseguiria comprar mais algumas coisas do que se fosse cá fora. E ele ficou maravilhado de ser ele a escolher o que queria e de gerir o dinheiro do cartão (e inclusivamente fazer ele o pagamento com o cartão).

Foi tão giro vê-lo ter uma atitude tão diferente da habitual. Muito dificilmente consigo que ele tenha consciência dos valores e de que há peças muito caras porque se está a pagar a marca. Claro que as que ele queria (marcas de surf), continuam a ser caras, mesmo no Campera, mas desta vez ele só dizia "Se calhar não devo comprar isto; se comprar na outra loja posso comprar mais peças. Já viste os preços? Já viste a diferença de preços?" E no fim o comentário que fez, para rematar, foi "Agora já sei o que sentem quando vêem o dinheiro desaparecer!!". Custa, não custa? Consegui vê-lo divertido, activo, consciencioso e preocupado ao mesmo tempo. Um presente que teve também um carácter pedagógico!

Comprou uma hoodie da Quiksilver (giríssima, com uns phones incorporados, que podem ir à máquina de lavar), um blusão da Lefties, uns óculos da Vans e uns ténis da Springfiled e ainda nos convidou a todos para lanchar. Nada mau, pois não?

Depois da tarde no bowling, da viagem de auto-caravana de 4 dias, da ida do entregador de pizza à escola e do fim-de-semana num hotel de 5 estrelas, acho que ainda o consegui surpreender e maravilhar.  High five!



















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quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

14




Sem muitas palavras, com os pequeninos doentes e com uma grande preocupação porque já houve uma recaída, mas mesmo assim muito feliz.

Ter um filho com 14 anos não me faz sentir velha. Faz-me sentir que valeu mesmo a pena ter começado cedo. Tenho imenso orgulho nisso.

Obrigada por todos os comentários, por todas as palavras bonitas que nos deixaram. Afinal alguns de vós já nos acompanham há quase 10 anos, já são da família.

Ele adorou o presente. Vamos ver se pode usufruir já este sábado. Depois conto tudo.






sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Saldos, dicas,Campera e surpresas


O Campera, o Factory Outlet do Carregado, tem sido para nós sinónimo de novas experiências e muitas surpresas.
Em Dezembro levámos pela primeira vez os mais novos a um musical (ver aqui), que toda a família adorou. Foi um dia muito bem passado, de convívio a 6, com pouco tempo para ver tudo, mas com a promessa de voltar logo, logo.
Foi também palco de uma excelente ideia (cof cof cof) da mãe 4D para o presente do filho mais velho, que faz 14 anos para a semana - ena, já???
Sobre estas surpresas - sim, na verdade são duas, se tudo correr como planeado - falarei mais tarde. Agora shhhhhhh, que ele não pode nem desconfiar! Bom, só posso dizer que tem a ver com compras e com adrenalina. O que será?

Também foi no Campera que iniciei o meu assalto aos saldos. Mas com muito jeitinho.
Fui munida de dicas importantes, as quais vos deixo no final do post, e também de muita cumplicidade - afinal era um passeio a dois e eu queria mesmo era uma tarde bem passada, que começasse com um almoço numa esplanada. Já que o sol de inverno estava a convidar, nós não nos fizemos rogados. Claro que às páginas tantas já a senhora cabeça, tão racional, estava aos gritinhos "não consegues fazer tudo, não consegues fazer tudo, não consegues fazer tudo", enquanto o coração pedia calma e muita descontracção. Que dupla!

Já que todos SÓ falam em corridas, e eu ando a ver se o bichinho pega, um bichinho muito difícil de apanhar (lá está, como é que eu consigo apanhar o bicho, se não consigo sequer correr 100 metros sem ir de língua de fora?), lá rumei até à Nike Store. Imagino que aquela loja seja o paraíso para os amantes do desporto - ténis e roupa de marca, a um preço super em conta. Só nesta loja passei quase todo o meu tempo - ténis de correr...e dão para andar na rua? E se eu quiser começar a ir ao ginásio, são os mesmos ou tenho de ter outros? Por pouco não saia de lá com 3 pares e dois outfits completos.

Concluindo, a minha ida ao Campera rendeu uns ténis, um vestido lindo da Mango, uma jarra do Depósito da Marinha Grande, a ver se chamo a Primavera - preciso de ter flores em casa! - e mais "umas coisinhas" da Lefties e da Calzedónia. Nada mau, pois não? E não foi mais porque a meio tive o tal flash do que queria oferecer ao meu primogénito e a partir daí tirei o chip mulher e coloquei o de mãe. É mais forte do que nós, não é? Mãe há 14 anos é obra! E ter ideias giras ano após ano também não é para meninos.

Portanto, posso dizer que o Campera foi uma boa surpresa e daqui a uns dias lá estaremos caidinhos outra vez.
Ahhhh, e bons saldos!



Dicas para saldos:

Comprar peças que sejam QUL (é cool, não vos parece?)

Que tenham Qualidade, Utilidade e Longevidade.

Muitas vezes vamos para os saldos e ver o que é que aparece - porque até vamos só para ver, não é verdade? Mas depois vemo-nos apanhadas naquela rede - e isto visto com o quê?
Portanto, nada mau se pararmos um bocadinho e pensarmos um pouco sobre isto. Comprar só porque está mais barato não, porque o barato depois sai caro.


As peças com mais qualidade são aquelas 100% do mesmo material. Algodão, seda...
Os sintéticos geralmente têm muito pior qualidade e perdem mais facilmente a cor, desbotam... 
Em relação à utilidade, temos de pensar se a peça é só para uma ocasião específica ou para o dia-a-dia. Curiosamente muitas vezes achamos que devemos investir mais dinheiro numa peça para determinada situação e para o dia-a-dia, como é exactamente o dia-a-dia, usamos peças mais baratinhas. Só que, mais uma vez, o barato sai caro. Devemos investir naquelas peças que usamos mais, devemos tentar perceber se têm qualidade suficiente, para que possam ser usadas várias vezes - sem perder a cor, sem ganhar borboto...
Em relação à longevidade, é importante perceber se aquela peça que simplesmente amámos, e que até chegou aos saldos, não está muito presa a uma moda que surgiu este ano, ou seja, se não está demasiado presa à estética de uma estação. É que se se comprarmos uma peça que só pode ser vestida um ano, dois no máximo, isso faz com que, mais uma vez, o barato possa sair caro. Sim, sabemos que a moda é cíclica, mas por vezes demora um bom tempinho até que algo volte a estar na moda e como eu já escrevi aqui, quando volta, não volta igual.

De facto, tal como já escrevi no passado, volto a afirmar que o termos um bom conhecimento do nosso guarda-roupa e do nosso estilo (e em que direcção queremos ir, ou seja, que estilo queremos ter), é meio caminho andado para fazermos boas compras, dentro ou fora dos saldos.






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quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

No dia internacional das pessoas com deficiência



e a uns dias de fazer 10 anos que o meu filho teve um avc que o deixou com sequelas para toda a vida, venho deixar uma mensagem linda que recebi, que descobri perdida entre outros comentários não activados.


Olá meu nome é Paula Meneghetti e entendo bem o que vc passou com seu filho, pois meu filho ao nascer também sofreu um AVC isquêmico, e por causa da falta de pessoas especializadas a descoberta do AVC demora 4 dias. O diagnostico foi que meu filho não andaria, não falaria, e que talvez ficasse paralisado. Meu filho foi acompanhado durante 3 anos, com fisioterapias, anticonvulsionantes, fono, e exames de ressonância, tomo e outros. Hoje ele tem 5 anos e graças a Deus ele não ficou com sequela nenhuma, mas no ínicio foram anos angustiantes e por isso encontrei uma outra mãe Sandra Avalos, que tem uma filha que tb sofreu AVC e nos unimos e fizemos uma pagina no facebook chamada "AVC em crianças, casos raros, mas reais" e lá temos juntando muitas histórias de crianças que sofreram um AVC, ou seja não é tal raro assim. Já fizemos até um encontro com as mães, foi muito interessante, se quiser visitar a página fique a vontade, pois abrimos pelo proposito de compartilharmos experiências e alertar os pais quanto a isso. Um forte abraço.



O meu filho tem uma deficiência e ao fim de 10 anos posso dizer que não foi fácil aceitar. A pergunta rondava sempre o mesmo: porquê ele, porquê nós.
Uma doença rara que culminou numa deficiência para a vida. 6 meses para haver um diagnóstico conclusivo e uma vida toda a habituarmo-nos às sequelas que não desapareceram mais.


Um filho que não pode conduzir um carro que não seja completamente adaptado, que tem de ter uma faca especial para conseguir cortar a carne, que colocar pasta de dentes na escova é um acto que exige o dobro do tempo e o triplo da paciência...
Um filho que tem um braço que não funciona. Um filho que aos 3 anos escrevia o nome todo, com a mão esquerda e que teve de começar a usar, pela primeira vez, a direita. A pouco mais de um mês de fazer 4 anos era como se nascesse pela segunda vez.


Um filho que faz há 9 anos e 11 meses fisioterapia e outras terapias adicionais.


O meu filho é das pessoas mais cool e positivas que eu conheço. Um filho que não consegue ver-me zangada com ele mais de 5 minutos. Um filho especial. Uma espécie de criança cristal.


Uma criança que depois disso foi avaliada como sobredotada.


E o preconceito esteve durante muito tempo dentro da minha cabeça.
Quis protegê-lo de tudo, com imenso medo que sofresse. E durante muito tempo só quis que voltasse a ser como era.


Aos poucos fui lutando para "só" querer que ele fosse feliz. 


A inclusão exige a utilização de métodos diferentes para as diferentes necessidades, capacidades e níveis de desenvolvimento individuais. E o meu filho precisou de métodos diferentes para as disciplinas de : música, educação física e evt.
E há dois anos uma mãe queixou-se de não perceber como é que o meu filho tinha 5 a educação física, quando não conseguia fazer imensas actividades. 
E o preconceito esteve durante demasiado tempo na cabeça de alguns adultos.




Obrigada filho por seres meu filho. 


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terça-feira, 21 de janeiro de 2014

13 anos contigo e a surpresa que adoraste



Já tivemos alguns aniversários especiais, como a viagem de autocaravana ou a saída à disconight.

Este ano não havia nada,não tinha ideias e o dia estava a chegar galopantemente rápido. Rapidíssimo.


Não queria presente, queria apenas ser surpreendido e queria jantar Pizza Hut.

Juntei tudo e o travesseiro trouxe-me a resposta.




E hoje foi surpreendido, um pouco depois das 13h, na sala de aula, ele e os colegas, pelo rapaz da pizza (giro, novinho e supersimpático, por sinal).




Não é nada de mais. Mas baterem à porta, ser um rapaz da pizza a perguntar pelo Afonso e entregar várias pizzas familiares, das que ele gosta, com um postal dos pais, não é todos os dias.




Eu e o pai decidimos não entrar, ou seja, ele não nos viu e eu perdi aquele momento mágico. Foi uma opção, que faz parte ou fazia parte do plano. Foi o rapaz da pizza que me contou que ele ficou com cara de quem não estava a perceber nada e depois com um sorriso rasgado, de orelha a orelha.




O postal começava assim:




Deixa-me ver-te...

Estás a corar e com ar surpreendido?

Óptimo!!!

Era mesmo isso que nós queríamos.

Espero que tenhas gostado da surpresa e que te lembres dela para sempre.







Só o fui buscar quando as aulas acabaram. Vinha super feliz. E sabem do que é que ele gostou mesmo mais? Do postal, que num das partes de dentro não tinha nada e eu escrevi: Pede aos teus amigos e professores que assinem aqui!




E disse-me que nunca mais se ia esquecer desta surpresa. E disse também que a amiga Inês frisou várias vezes que nunca mais se iria esquecer da cara dele quando o rapaz da pizza chegou à sala. Impagável.

E disse ainda que eu tinha sempre tão boas ideias (ahhh, e o Manel disse logo que também queria a mesma surpresa, quando fosse ele, só que para ele teria de ser com hambúrguer)




E pronto, uma pequena, pequeníssima ideia que o deixou muito feliz.

É muito bom sentir que as pequenas coisas podem mesmo fazer a diferença.













Parabéns meu querido Afonso. 13 anos é uma idade linda - e chatinha, chatinha.
Amo-te muito, desde antes de te conhecer.
Conheceste-me por dentro e embalei-te ao som do meu coração.
Juntos dançámos e continuamos a dançar a maravilhosa e complicada dança da vinculação.
A acertar o passo há tantos anos e para o resto da vida.

Parabéns meu rapaz.







ps: e agora estamos à espera que decida onde quer ir jantar!! Humpffffffffff

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Sem ideias ou 100 ideias



Eu que costumo ser a mulher das mil e uma ideias, estou em blackout total.




Hummmmmm, será por estar realmente espantada com o facto de faltar precisamente uma semana para completar 13 anos de maternidade?




13 anos. Uau!

O que me vale é que me continuam a dizer que estou muito bem conservada! Assim, pelo menos uma parte de mim acredita que ainda está muiiiiiito longe dos 40!




O Afonso fazer 13 anos e eu não tenho nenhuma ideia de como vamos celebrar esse grande feito.

A última celebração dele, com enorme impacto nas suas memórias, foi a viagem de autocaravana - podem ver aqui.

Depois meteu-se o fim-de-semana e aí ele pediu para passar com os avós maternos, as tias e os tios que adora de paixão, e com quem já só quase está nas férias.




E em 2014 vai ser uma terça, dia de aulas, sem possibilidades de fazer gazeta.




Guardaremos os festejos para o fim-de-semana seguinte?




Quero ideias giras. PRECISO de ideias giras.Podem ser 100!




Ps: Lembram-se disto?
Finalmente vou poder estar sozinha na casa de banho. Nada assusta mais um adolescente do que ver a mãe nua...ou ser visto por ela! 
yeiiiiiihhhh. Oh não, espera. Ainda tenho mais 3 filhos em casa!!







Adivinham em que fase é que estamos??


terça-feira, 21 de maio de 2013

Ainda dos Globos ou o apanhado feito pelo meu filho mais velho



Sobre a Paula Bobone:





No dia dos Globos de Ouro o meu filho veio dar-me um beijo de boa noite e comentar como a Paula Bobone estava vestida. O pobre do miúdo ficou impressionado. 

No dia a seguir 

Afonso: Oh mãe, chegaste a ver a Paula coiso? 

Mãe: Paula Bobone filho. 

Afonso: Oh mãe, ela estava toda branca, com uma flor enorme preta na cabeça e com muitos anéis nos dedos. Ela faz o quê? É actriz? É cantora? 

Mãe: Não, escreveu um livro. 

Afonso: Um livro? Dicas sobre como vestir mal?!?!?! 





Sobre a Joana Santos: 







Afonso: Oh mãe, a Joana é muito mais bonita como Júlia. Veste-se muito melhor e até a voz é mais bonita. Assim é tão estranha. 







Sobre a Victória Guerra: 

Afonso: Mãe, quem ganhou o prémio revelação? 

Mãe: Foi a Victória Guerra. 

Afonso: Por causa da telenovela?? 

Mãe: Não, por causa do filme que tu foste ver, as Linhas de Wellington. 

Afonso: Ahhh, por ter aparecido toda nua? Boa revelação.
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