A C. foi hoje à primeira sessão de fisioterapia. Sim,
passado um mês da consulta, passado um mês de terem escrito “com carácter de
urgência”.
E eu que fiquei aqui fechada imenso tempo, podendo não estar,
podendo estar com os meus rapazes, que não querem estar cá e que não me podem
ter lá, à espera que este dia chegasse, e agora quando estava prestes a rumar a
Sul, eis que o telefonema chegou, ontem, e hoje foi a primeira sessão.
É verdade que comecei a falar e a falar e a dizer que assim
não podia ser e que era inadmissível. E depois a secretária clínica explicou-me
que os meninos crónicos, com o meu outro filho, estão parados por causa dos internamentos que
chegaram. Que quando todos lá pensavam que as férias iriam ser um período de acalmia, depois de um ano esgotante, parece que este verão se revelou trágico: um menino paraplégico devido a um mergulho no mar e
outro atropelado numa passadeira e mais um atropelado enquanto andava de bicicleta.
E eu compreendi, claro que compreendi. Fechei a minha grande bocarra e reduzi-me à
minha insignificância.
E lá fomos hoje, felizes e contentes. Felizes e contentes
por o que ela ter ser tão mínimo tão mínimo comparado com os casos que lhe “roubaram”
a vez.
E voltei ao lugar que já conheço muito bem, há muitos anos.
E agora que íamos embora de férias, este fim-de-semana, para já só
voltar em Setembro, vamos ficar, pelo menos, mais uma semana.
Ela está bem, muito bem, disse a fisioterapeuta, que eu já não via há
uns dois anos e que me disse logo “ai que esta princesa nunca vai ser maria rapaz!”
A C. está bem, muito bem e só precisa de ganhar mais músculo no tronco.
Fazer uns abdominais e voilá.
Senti-me tão feliz, tão feliz. E começo a acreditar, piamente, que um
raio não pode cair duas vezes no mesmo lugar.