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sexta-feira, 14 de março de 2014

Do amor




A minha vida é feita de amor, é feita de falar de amor e, convenhamos, principalmente de desamor, do medo de perder o amor, do fim do amor, da difícil escolha e luta pelo amor.

Sou terapeuta de casal há 15 anos.


E ontem perguntava aos meus alunos - como resiste um psicoterapeuta a tanto sofrimento, como aguenta lidar com os sofrimento dos outros, durante tanto tempo e, será que trabalhar consecutivamente com a mudança, com gerar mudanças, também não o faz mudar?


Aguenta, aguento, pelos finais felizes, que nem sempre tem de ser de mãos dadas rumo ao pôr do sol.

Aguenta, aguento, pelo sentimento de realização, de dever cumprido, por ajudar alguém a tomar a sua decisão, por ajudar alguém a mudar, a saber o que quer, a fazer mais e mais e mais e melhor. A lembrar-se novamente daquilo que já soube de cor.


E muda, e mudo. E cresce, e cresço. E vivo a vida como no cinema, vivo várias vidas através de tantas estórias de amor e de desamor e de resgate e da redenção, e da resiliência e do perdão. 


Mas aqui não sou um espectador passivo, mas um actor participante na vida de tantas pessoas que já me procuraram.


A Sara convidou-me a falar de amor, do meu amor e eu fiquei sem fala. Porque é mais difícil falarmos de nós, nós que estamos sempre a reflectir sobre os outros. Mas também nós, temos de reflectir sobre o que se passa cá dentro e do que se passa entre nós. Tantos nós, tantos laços mais lassos ou menos lassos. Tantos nós.


E eu emprestei-lhe o poema que escrevi, há 14 anos. E que continua actual.



Obrigada Sara pelo convite.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Num dia fazem perguntas, no outro dão-me respostas


A ver exames.
A ler as respostas de futuros especialistas. Mas também gostava de ler a vossa.

"Estar pronto para o divórcio, o que significa?"







terça-feira, 23 de outubro de 2012

Sobre o divórcio

Vou falar nisto na próxima formação que vou dar, já em Novembro. E este texto vai comigo, porque acho que não conseguiria nunca dizê-lo tão bem. É um murro no estômago em algumas partes mas o tema a isso o exige. Dá que pensar. O meu trabalho é ajudar as pessoas a ficarem juntas, a resolverem as suas questões, é criar objectivos de vida a dois, a três, a quatro... Mas por vezes não é possível e o meu trabalho passa a ser ajudá-las a separarem-se com dignidade, com amor próprio, com respeito por si e pelos outros. Não é fácil.



Quase todos os meus amigos já se divorciaram; alguns, mais do que uma vez. Uns dizem que é como morrer alguém próximo, há que fazer o luto, pelo menos dois anos. Tretas. Há quem saia de um divórcio cantando e rindo e quem sofra penas por longos e largos anos. Por vezes quem mais sofre foi quem o quis; e não por arrependimento, mas porque sim. Porque sem esperar se perde demais, e a esperança, insuflada pela noção de liberdade, só nos incute a ideia de ganhos. Um divórcio é doloroso; dói de facto como a morte de um ente querido; ou melhor, de uma vida querida que acarinhámos até se transformar num inferno ou num nada, num vazio. E tem momentos de volta atrás, se decorre de um casamento que, em tempos, até foi feliz. Temos que nos esforçar por nos mantermos nas partes más, se não estamos aqui e estamos no mesmo. Um divórcio provoca truques na nossa cabeça, que continua casada mesmo depois dos papéis assinados;  porque é uma cabeça que, para lá do desinteresse do corpo,  continua casada com a vida que tivemos, a única que conhecemos, e não com a pessoa em si. Muitas vezes, o outro  é o menos importante e o mais fácil de esquecer. O luto pode estender-se por anos; num lágrima a despropósito que corre pela cara  de  um filho, que só nós sabemos porque está lá, numa torneira por arranjar, numa ceia de Natal partida ao meio, numa viagem só para quatro, numa cama king size só para um. É  um processo de libertação e, ao mesmo tempo, de desconfiança. Interrogamo-nos muitas vezes para que serve a liberdade que ganhámos  - e que nos sabe tão bem – mas  desconfiamos do futuro, e se poderá alguma vez bater o passado, quando ainda era bom.  Um divórcio é um compasso de espera para os optimistas e uma experiência a não repetir, para os pessimistas. O acto de assinar os papéis é absolutamente simbólico; o que todos guardam é quando um deles  sai de casa de malas na mão, para não voltar. Consoante as situações, instala-se o vazio, o alívio ou o desespero. Às vezes, as três coisas juntas. Toda a casa nos lembra quem partiu, mesmo que tenhamos sido nós a desejar a partida (...quando vem o teu cheiro, dentro de um livro). A culpabilização é enorme, quando existem filhos, mesmo quando foi o outro a sacanear-nos por todos os meios. Os filhos de um divórcio, nos primeiros tempos,  são o fracasso a olhar-nos nos olhos, e esta impressão desvanece-se lentamente. Eu acredito que quando as pessoas se casam é porque se amam. E que, se se divorciam é porque se deixam de amar, apagando  nos filhos o selo de garantia que lhes estampámos quando nasceram: “Aqui está o fruto do nosso amor. Marca registada”. Dizem-me, vezes sem conta,  os miúdos adaptam-se, os meus estão óptimos, são os maiores amigos do meu novo companheiro, têm boas notas, nunca deram trabalho, não precisaram de psicólogo, eu e o meu ex damo-nos bem o que é bom para eles, gostam muito do novo irmãozinho. Mas, não esquecer: para eles, até em adultos, o pai era para ter ficado com a mãe e a mãe com o pai. Que tinham obrigação de se ter entendido. Por eles, que não pediram para vir ao mundo. A nossa sorte é que os nossos filhos gostam muito de nós, independentemente dos disparates que façamos, e fingem que se fartam só para verem em nós uma centelha da felicidade de que se lembram de quando os pais ainda eram casados, mesmo que estejamos com outras pessoas,  eternos estranhos para eles.

Controversa Maresia

terça-feira, 3 de abril de 2012

As 10 mentiras que nos arruinam a vida amorosa

1. O Mito da Beleza


A ideia de que as pessoas mais bonitas atraem mais facilmente um parceiro não só não é verdade (basta pensar na prima Albertina - toda a gente tem uma prima Albertina - que era feia como os trovões e tinha todos os homens que queria) como pode levar-nos a gastar inúteis balúrdios em roupa a vida inteira sem percebermos porque é que não funciona. Devemos ser cada vez mais nós próprias, com cada vez melhor aspecto, por nossa causa, e não para atrairmos um qualquer George Clooney que vá a passar (até porque os Clooneys deste mundo não passam assim com tanta frequência). Além disso, pode ser perigoso passar a mensagem errada: como é que queremos encontrar a alma gémea se passamos a vida a esforçar-nos imenso para parecer uma coisa muito diferente do que somos?


2. O Mito da Alma Gémea


Está bem, que as há há, como as bruxas, mas tal como as bruxas, qual foi a última vez que viu alguma? O que há são várias almas mais ou menos compatíveis. Se não quiser condenar-se a passar imenso tempo a inventar esquemas para fugir da rotina e para 'apimentar a relação' e a 'dar tempo' e a visitar terapeutas familiares, tenha mas é o bom senso de escolher alguém com quem seja agradável viver.


3. O Mito do Merecimento


"Ai eu aqui coitadinha tão gira, tão culta, tão esperta, tão loira e tão boa pessoa, não merecia mesmo um Príncipe?" Pois merecia, mas acontece que a vida não é justa, a vida é lógica, e a lógica não é moral. Se viver à espera de 'retribuição', vai ter muitas desilusões.


4. O Mito dos Opostos que se Atraem


Pois dizem os psicólogos que não se atraem, não senhora, o que nos atrai, mesmo - especialmente? - em pessoas muito diferentes de nós, é aquilo em que se parecem connosco. E sim, os valores e os hábitos e o meio e se gostam ou não de step ou feijoada ou das Caraíbas é importante, mas, também dizem os psicólogos, as relações mais sólidas nascem entre pessoas que tiveram infâncias ou experiências de vida idênticas.


5. O Mito da Primeira Vez Tem de ser Óptima


A culpa é do cinema. E das telenovelas. E dos romances. Fizeram-nos tal lavagem ao cérebro desde que começámos a ter idade para ver cenas de sexo que a partir daí acreditámos piamente que tudo acontecia assim, naturalmente, sem atropelos, sem sutiãs encravados nem sapatos malcheirosos nem mãos desajeitadas nem óculos a atrapalhar... Se a primeira vez não viu fogo de artifício, não desanime. Tudo se treina.



6. O Mito da Honestidade


"Olha, ó João Carlos, antes que me dês um beijo na boca deixa-me que te diga que já tive 34 namorados antes de ti, especialmente o Vasco que era um monumento de homem até me dar uma grandiosa tampa, sou psicótica com as dietas e só como meia folha de alface por dia, por acaso não tenho os dentes verdes, não? Ah, adoro beber até cair para o lado, também adoro crianças e estou louca para ter uma equipa de futebol mas tenho uma verruga vaginal que me incomoda imenso, sabes que em Portugal as mulheres ainda ganham menos do que os homens?, olha importas-te que vá à tua casa de banho, o jantar caiu-me mal" (depois não se esqueça de voltar e dizer "Não vás lá agora") e por último a machadada fatal: "A minha mãe vai gostar tanto de ti!" Não seja honesta! Pelo menos no primeiro dia! Não pronuncie NUNCA a palavra 'fofinho'. Diga-lhe o mínimo indispensável e ouça muito. E tente descobrir em que partido é que ele vota. Isso sim, é importante.


7. Mito das Festinhas


Mas que mania feminina que depois de grande sessão de cama eles têm de ficar num 'encore' a fazer-nos festinhas! É como se depois de uma aula de body combat se tivesse que ficar a fazer festinhas no treinador. Deixe as festinhas para quando ele acordar.


8. O Mito da Compatibilidade


Lá porque se divertem imenso e vão ao cinema e jantar fora, não quer dizer que consigam aguentar uma relação de chatices diárias, com casas para pagar, louça para lavar, banheira para partilhar, e a adrenalina em baixo. Mas claro que muitas vezes isso só se descobre experimentando, não é...



9. O Mito do Resgate


Há-de vir alguém (alto, louro e com dinheiro) resgatá-la à sua triste vida, mesmo que esteja sentadinha em casa a bordar Mickeys em ponto-cruz. Só se for o homem da piza - isto se mandar vir uma piza, obviamente - e se o homem da piza for psicopata daqueles que olham para uma pessoa e ficam instantaneamente apaixonados, porque de outra maneira, quem fica à espera arrisca-se a esperar para sempre.



10. O Mito da Dependência


Só conseguimos ser felizes com outra pessoa e essa pessoa há-de nos dar aquilo que lhe damos a ela. Mentira: nem precisamos desesperadamente de outra pessoa nem o amor é assim tão matemático. Dedique-se a ser feliz sozinha para aprender a ser feliz a dois.




MUITO BOM



daqui

quinta-feira, 14 de abril de 2011

E novos comentários nos blogs aderentes fizeram-me querer escrever isto

Fica bem ser-se moderno e dizer que o marido ajuda. Paradoxalmente fica ainda melhor dizer-se que se fez isto e aquilo e o outro. Das coisas que mais me faz bufar (perdoem-me o que vou dizer e perdoem-me ainda mais a expressão) são aquelas mulheres que dizem que no dia que saíram da maternidade ainda foram fazer o jantar. Mas bolas, bolas, bolas. Não haverá dinheiro para comprar um franguinho da guia? Ou um hamburger no mac? Qualquer coisa, qualquer coisa.
Qual o porquê? Qual o motivo?
Ah, é o do seu home não gostar destas comidas?? Ou que fazem mal ao leite para o bebé? Não entendo.
Vivemos em culturas tão paradoxais que mete medo, muito medo.
Queremos ser as modernas, as independentes, as autónomas, as práfrentex. Mas depois não dispensamos o título de mães-galinhas e de super-mulheres e e e.
Eu cá não sou boa de casa, confesso. E nunca farei um post a dizer que enquanto estive grávida andei a passar 3 toneladas de roupa a ferro e a seguir fui limpar as duas casas de banho com um algodão a ver se a limpeza não engana.
Ahhhh, e muito menos vou cozinhar no dia em que chegar com um filho nos braços.

E já disse algumas vezes que não sou mãe-galinha e deixo-os ir de férias para a casa dos avós, feliz da vida (felizes eles ainda mais, acreditem). Talvez uma mãe-leoa, mas isso se tiver mesmo de arranjar um título para o que sou.

Se sou perfeita? Porra, já disse mil vezes que não.
Se sou feliz? Vou sendo. Sou virgem mas não tenho nem a mania da perfeição nem a obsessão da arrumação. Terei outras manias, sem dúvida.
Se gostava de ser diferente? Claro, às vezes. Quem não pensa assim?
Mas não tenho vergonha de dizer que não sou boa dona de casa; não tenho pretensões de afirmar que faço melhor do que ele, nem de dizer que a minha casa anda um brinquinho graças a mim.


Espero ter cabecinha no lugar para educar os meus filhos na base da igualdade. Não quero que a gajinha ande por aí a queimar soutiens e não faça nada enquanto os gajinhos cá de casa fazem tudo. Quero é pôr tudo a trabalhar sentindo-se iguais no que devem sentir-se iguais e diferentes no que é para serem diferentes. E quanto a mim esta não é decididamente uma diferença a manter.

E vamos também abolir a frase do ah e tal, ele até "ajuda". Ajuda? Ajuda? E eu também o ajudo e tal? Ele faz e pronto. Faz. Não ajuda. Please.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Pais modernos ou as (a)tira(nices)da vida


Pais modernos ou por trás de um grande homem há uma mulher, tirana? (vá, um bocadinho a atirar para o tirana) ou entre a pré-história e a modernidade (que ser moderno é muiiiito difícil e dá cá uma canseira).

Depois de ler esta notícia fiquei a pensar nisto. Parece que veio a calhar porque é disto que tenho falado nas aulas de intervenção conjugal.
Como faço nas aulas, não me importo de dar como exemplo o meu marido, que deve ficar com as orelhas a arder todas as terças feiras à noite. Faz-me lá alguma impressão que ele não seja perfeito? Pois, já não. Já não porque aprendi a ser esperta.
Ora como eu estava a dizer, o meu marido está ali a meio caminho entre uma coisa e outra.
 No limbo diria mais, no limbo.


Nós vivemos de mitos e vivemos a relação de casal como de um punhado de mitos irrealistas se tratasse.

Se tu me amasses…
Se tu realmente me amasses…
Se ao menos gostasses um bocadinho de mim…
A melhor é a da bola de cristal: se eu fosse o mais importante da tua vida conseguirias imaginar (saberias) o que eu estava a pensar, descobririas-me os pensamentos.
Enfim…

Eu achava, réstias de uma educação maternal do género, que ele teria de fazer por ele, sem eu pedir. E ainda mais fazê-lo por prazer, por imenso prazer, quase aos pulinhos de tão contente que estava de cuidar dos filhos, arrumar a casa, dar banho aos putos, dar-lhes de comer, mudar cocós. Tudo e tudo e tudo. Quanto mais feliz melhor.

Claramente, lidar com a coparentalidade e a divisão do trabalho doméstico e ainda com a gestão das carreiras não é fácil.
E nas mulheres há claramente uma ligação entre o desejo sexual e o preenchimento das necessidades aparentemente mais básicas, como a partilha das tarefas domésticas.
Portanto, os homens ainda não descobriram que a partilha do pesado fardo que são as tarefas domésticas pode ser um excelente afrodisíaco. Que tolos que são.


Resumindo, o meu faz muito, desde que esteja em casa, o que dificulta logo as coisas. E faz praticamente tudo, a maior parte desde que eu o direccione para as tarefas. E não faz como se a felicidade dele dependesse daqueles preciosos momentos ou como se o seu sentido de responsabilidade fosse do mais apuradíssimo que há.
Mas faz.
Se é o ideal? É quase, desde que eu seja pessoa que não me importe de direccionar e que ponha de lado a ideia de que ele deve só fazer porque sim e cheiinho de vontade.

E quem sabe, como diz a Peggy Papp,
It is not inconceivable that in the not-too-distant future someone may develop a kitchen floor sex therapy!

E finalizo dizendo: o meu homem é um português moderno e um homem do mundo semi-moderno.



Neste reflexão participaram:
http://redondaquadrada.blogspot.com/

http://apanhadanacurva.blogspot.com/


http://gralhadixit.blogspot.com/

http://este-e-meu.blogspot.com/

http://www.emestadopuro.blogspot.com/

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

prendas e romantiquices

Mudei de ideias.
Depois de ver o que a Pipoca ganhou do marido no dia do Valentinus, retiro o que disse.
Marido, podes ser mais romântico SIM.
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