A minha mãe disse-me para não aceitar coisas de estranhos mas a verdade é que eu nunca lhe dei ouvidos (e já me dei mal algumas vezes, não é verdade??).
Mas desta vez é diferente porque aqui não nos podemos considerar estranhos, se entramos pela casa umas das outras quase todos os dias, é ou não é assim?
Então a querida Teresa ofereceu-me uma estampa e eu decidi aceitar (posso chamar-lhe assim em vez de selinho, que, por sua vez, à custa de muita telenovela brasileira vista no passado, só me faz lembrar daqueles beijinhos na boca semi-castos?).
Mas onde é que eu ia? Ah sim, recebi uma medalha da Teresa, não de bom comportamento mas também um pouco; não de bravura mas também muito; não de ternura, mas oh sim, imenso. Fui considerada por ela uma mãe coruja...
E isso deixou-me a pensar.
Ora bem, eu digo sempre, peremptoriamente, que não sou mãe-galinha. Vejo-me mais como mãe-leoa. Então e mãe-coruja? Curiosamente nunca pensei em mim muito nestes termos.
Engraçado isto de nomes de animais - se calhar somos todas um bocadinho primárias, menos racionais, mais animais no fundo, quando se trata de sermos mães e de defendermos e protegermos as nossas crias.
Mas como boa researcher que sou lá fui eu investigar.
Mãe coruja significa uma mãe que é muito zelosa.
Parece que esta expressão surgiu de uma lenda sobre águias e corujas, que reza assim:
A coruja encontrou a águia, e pediu-lhe:
- Oh águia, se vires uns passarinhos muito lindos num ninho, com uns biquinhos muito bem feitos, não os coma, que são os meus filhos!
A águia prometeu-lhe que não os comeria. Foi voando, voando e encontrou numa árvore um ninho e acabou por comer todos filhotes.
Quando a coruja chegou e viu que lhe tinham comido os filhos, foi ter com a águia, muito aflita:
- O águia, tu fostes tão falsa. Prometeste-me que não comerias meus filhinhos e mataste-os todos!
Então a águia respondeu-lhe:
- Eu encontrei uns pássaros pequenos num ninho, todos depenados, sem bico e com os olhos tapados e, olha, comi-os. Como tu me disseste que os teus filhos eram muito lindos e tinham os biquinhos bem feitos entendi que não eram esses.
- Pois eram esses mesmos, disse a coruja.
- Pois então não sou eu que estou errada. Tu é que me enganaste com a tua cegueira.
Moral desta estória:
Aos olhos de todas mães, os filhos são sempre perfeitos e lindos.
Ainda não estava completamente convencida. Vejo muito as qualidades dos meus filhos mas não fico cega para os seus defeitos. Nunca fiquei nem vou ficar. Por vezes penso se isso não fará de mim uma mãe demasiado durona.
Entretanto encontrei este quizz, cujo resultado final foi:
Coruja saudável
Você está na medida certa! Equilibra bem a forma de paparicá-lo e elogiá-lo com o respeito pelo espaço dele. Sabe ouvir e deixar que ele mesmo se expresse. Isso reforça sua auto-estima e valoriza o que seu filho tem de melhor.
Assim sim. Já posso dizer que sou uma mãe-coruja, semi-assumida, ou melhor ainda, sem exagerar demasiado na dose de corugice:)
E agora a difícil tarefa de distribuir esta honrosa menção por 10 mães. Agora é que a porca torce o rabo (assim como assim já estamos bem lançadas nesta denominação animal). Ora vamos lá a ver. O politicamente correcto é não distinguir e não escolher ninguém. Mas por experiência acumulada ao longo dos vastíssimos anos de blogosfera, parece-me que quando dizemos simplesmente "este selo é para quem o quiser apanhar"...pois que ninguém o apanha.
Para já escolho estas mães. No próximo escolherei outras. Não fiquem tristes, não?:)
E foram 11. Ups. E só me apercebi disso no fim. Ando a ver tão mal. Mãe-coruja? Estou mais para mãe-morcega.
