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segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Se não fores como eu te sonhei, devolvo-te

A propósito deste post da Maggie

É triste mas não é novidade que existam crianças devolvidas ás instituições por incompatibilidade com a família que os adopta.
Não é a primeira vez que se fala disto, já outras reportagens foram feitas, mas a revelação de 110 crianças em 5 anos é mto. Caramba mas estas famílias foram bem avaliadas, ou será mudaram assim tanto? e quem as colocou como aptas a adoptar, não tem nada a dizer? As crianças são apenas devolvidas e pronto, não se apuram responsabilidades?






escrevo isto




Acho este assunto muitíssimo complicado e ter-se-ia (ter-se-á) de repensar o papel e as culpas de cada um no cartório.
Estava a ler o que a Maria disse e concordo. Ao mesmo tempo quantas e quantas famílias desesperam com a espera? Mesmo assim chegarão cedo demais aos pais, os novos filhos?
Simultaneamente sinto esta questão como fruta da época (ou fruto, como quiserem). É como os casamentos, tão e completamente e cada vez mais descartáveis. Então digam-me porque é que conheço inúmeros casos de casais que namoraram 10 anos e que se separam ao fim de uns meses? O que é que correu mal?
E quantos de nós devolveríamos os filhos se o pudéssemos fazer? Claro que não estou à espera de respostas. Só de uma reflexão interior.
Expectativas demasiado altas, filhos tecidos à medida? Geração chiclete, que pelos vistos já dura há demasiado tempo, há tempo demais?
Acham que a crise vem alterar estes valores estruturais? Acham? Mas também se não for essa senhora não sei o que será.

10 comentários:

Maggie disse...

Eu acho que nem todos temos capacidades para adoptar uma criança. Eu nunca pensei nisso sequer, ou melhor, acho que não tenho tanto amor assim para dar. Não sou pessoa de trato assim tão facil, não me dou com facilidade, acredito que teria mtas dificuldades em lidar com uma criança vinda de uma instituição (com os traumas que possa trazer), por isso não sou candidata a adopção. Acredito que se conhecesse uma situação em especifico em que sentisse que poderia ajudar, aí já seria diferente. Quem sabe não gostaria de adoptar a criança? poder ajudá-la a definir o seu projecto de vida, poder dar uma casa, familia e carinho ...

Maggie

Duchess disse...

Sim, sim, entendo. Fazer essa reflexão é sinal de maturidade. Não temos todos de ter perfil para tudo (apeteceu-me dizer "bons samaritanos" mas podia parecer mal).
Mas tu estás a ver e a dizer isso a priori e não a posteriori.
O que me continuo a questionar é como é que algumas pessoas só se apercebem disso depois - pelo que percebi até 3 dias depois? Mas e se fossem nossos? Como não os poderíamos devolver tentaríamos mudar?
O que me parece é que há muitos assistentes sociais e até psicólogos envolvidos no processo, antes da adopção. mas depois tudo acaba. E acaba muitas vezes no momento em que são mais precisos. Há uma conjugação de crises. É sem dúvida um momento de crise, um momento que acarreta muito stress e que precisa de uma reestruturação qualitativa que sozinhos a família terá muita dificuldade em fazer.

flower power disse...

naõ sei se se trata da mesma reportagem da tv, a que eu vi, a senhora 'devolveu' o rapaz cinco meses e meio depois devido às notas e a ele não querer estudar... e não mostrava qualquer sensaçõa de arrependimento...
sou a favor da adopção, mas estes casos revoltam-me. é como dizes Duchess quantas vezes não pensamos em mandar os nossos filhos para a lua... mas são nossos, são nossa responsabilidade. e quando se adopta uma criança passa a ser nossa. ou talvez não, em alguns casos...

Uma boa parte de mim disse...

Ficámos com aquela reportagem entalada, percebe-se... tinha acabado de lançar o meu post quando vi o título do teu post na minha barra de blogues... e sorri :)

Maggie disse...

O que me parece é que quem adopta não pensa na criança que vai receber. Prefere talvez ignorar o passado e acreditar que a criança vai apartida ajoelhar a agradecer ter sido recebida pela aquela familia. Acontece que uma criança vinda de uma instituição tem um passado que não se apaga assim com uma esponja, requer carinho atenção e trabalho, coisa diferente de quando temos o nosso proprio bébé, com um passado que conhecemos.

Maggie

Duchess disse...

M: significa que nos preocupamos com os males do mundo. Beijinho grande. Beijo grande a todas e uma boa noite. Nós por cá andamos na saga das dormidas com bebés doentes.

dofundodabarriga disse...

Leio este tema e sinto um aperto no coração. "Devolução de crianças" parece ilegível, contra-natura, tudo o que não se compreende e não deveria ser. Penso que está efectivamente relacionado com o facilitismo da nossa era. As pessoas querem ter um filho - porque assim deve ser, porque querem -, mas não se questionam se estarão preparadas para ter um filho, seja qual for a condição. Ou seja, estão predispostos apenas para uma maternidade/paternidade condicional. Têm um pensamento e uma atitude unilateral. Se uma nova variável entra no sistema, sentem-se impotentes e angustiados e ansiosos pelo retorno à zona de conforto. Seria perfeito se todos tivessem a consciência e, como referiste bem, a maturidade da Maggie. Talvez sim, talvez esta crise nos traga a todos maior clarividência sobre as nossas possibilidades, ambições e prioridades. Espero que sim.

Beijinhos e rápidas melhoras de todos esses bebés!

RAINHA MÃE disse...

Julgo que hoje em dia toda a gente procura a perfeição: casamento perfeito, filhos perfeitos, trabalho perfeito. Pensando melhor o único que as pessoas de dão ao trabalho de aguentar é o trabalho porque hoje em dia é cada vez mais raro. De resto é fácil "livrar-nos" de um casamento que não corresponde ao que sonhamos e os filhos tentamos tudo o que seja possível para que sejam "perfeitos". Como é que é possível alguém magoar desta forma uma criança devolvendo-a? É uma crueldade sem fim. Eu gostava muito de adptar uma criança, mas sei que é uma decisão difícil e como tal teremos que pensar muito bem..

Full-time Mom disse...

Tenho pena de não ter visto a reportagem. O que é que levará uma pessoa a fazer uma coisa destas? :(
Tal como algumas já disseram eu também sou uma pessoa que não se sente com capacidade para adoptar. Acho que não conseguiria amar outra criança tal como amo os meus filhos e isso seria uma injustiça e uma crueldade para a criança. :/

Tia Ju disse...

Eu vi a mesma reportagem e fiquei muito impressionada com a senhora que disse que a criança tinha más notas, não estudava e que por essa razão a "devolveu".
Ou eu não percebo nada disto ou o papel destes pais é exactamente ajudar/ensinar as crianças a estudar, ter boas notas entre outras tantas coisas.
Eu não sou mãe nem sei se algum dia o serei mas se o for não é assim tão improvável que o meu filho (como o filho de outros pais) não queira estudar e tenha más notas.Será por isso que o vou devolver?! NÃO!! Claro que não.
Faz-me imensa confusão. Adoptar uma criança é uma opção, e quem não é capaz ou tem dúvidas não o faça. Não podem é brincar com os sentimentos destas crianças, que já sofreram no seu passado, foram abandonadas e agora repete-se a história.

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