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quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

O Pedro e eu

Eu gosto de fotografias. Ponto. De estar atrás ou à frente da câmara. De imortalizar momentos, de deixar memórias.
A minha casa é cheia de fotos. Lembranças onde se tentou congelar o tempo. E conseguiu.
Há quem diga que as memórias melhores estão cá dentro. Talvez. Mas para mim as fotos têm uma força incrível. E há fotos que me emocionam sempre que olho para elas. Não naquele sentido nostálgico "ó tempo volta para trás" - se bem que estou convencida, mesmo que digam o contrário, que ninguém nunca não pensou nisso, nem que fosse apenas uma vez na vida.
Quando olho para aquelas fotografias, o gatilho dispara e é uma alavanca para virem ao de cima sons, sabores, cheiros, trejeitos, experiências, vivências.
E não me incomoda muito que estejamos todos mais bonitos, mais arranjados, com fatos domingueiros e sorrisos sonhadores. Não espelha a realidade? Claro que sim. I've been there. I done that.
Até porque mesmo sem fotografias temos a tendência a efectuar amnésias seletivas. Há quem recorde insistentemente as memórias más. Talvez por isso ainda não impederni. Porque depois de resolver os fantasmas cá dentro, sou pouco de guardar rancores. Também isso não signifique que perdoe. Significa que talvez para não me magoar tanto, escolho inconscientemente as memórias com que quero ficar. E são quase quase sempre as boas.
Por isso amo olhar para uma foto minha aos 19 anos, aos 30, aos 35 e aos 40 e ver caras felizes. Nunca achei isso uma hipocrisia, mas um acto de ternura e até de resiliência. Por mais momentos maus que tenha passado, tenho aqueles bons que estão guardados, não só na minha cabeça e coração, mas também nas paredes da sala ou do meu quarto.
Que maravilhoso será chegar aos 80 e ter comigo uma prova de como era gira e despreocupada aos 18 ou aos 20. De como os meus filhos eram aos 2, aos 6, aos 10, aos 16.
Gosto de casas com vida. Não me peçam para ser minimalista.

Por isso aconselho tanto que façam pelo menos uma vez na vida uma sessão fotográfica em família e sozinhas/sozinhos. Não acho nada que seja vaidade. E é um dos investimentos que vale mais a pena.
A primeira vez que fui fotografada por um fotógrafo de moda tinha 19 anos, acho eu. Tão longe ainda estava em saber que a fotografia faria de alguma forma parte da minha vida.
Um dia destes tentei contar o número de fotógrafos com que já trabalhei. Por ter um blog, por organizar mercaditos, foi-se proporcionando.
E já tenho feitos lindos para recordar. A primeira sessão em família, a primeira sessão pós separação e a última, que como já comentei convosco, surgiu como grito, como força, como forma de mostrar que era preciso dar a volta por cima.
Já fui fotografada pelos mais experientes e por quem está a começar. Já fui a Lisboa só para ser fotografada, já vieram ter comigo a Coimbra e a Évora, só para me fotografar. O que eu já vivi, as coisas pelas quais passei davam para escrever um livro. Por isso quando estou em baixo esforço-me por agradecer tantas coisas boas que a vida me deu.

E não podia acabar o post sem falar no Pedro. Sem melindrar ninguém, o Pedro foi uma das melhores surpresas que a vida decidiu entregar-me.
O Pedro de Oliveira é um jovem fotógrafo da Figueira, a minha cidade do coração, com um talento excepcional.
Eu já nem falo do resultado final. De todos os fotógrafos com quem já trabalhei o Pedro tem o dom raro de saber dirigir. Tal como os actores precisam de direcção, os "modelos" também. Geralmente diziam-me "comporte-se naturalmente Sofia, faça o que quiser" e passava metade do tempo sem saber o que fazer. Se olhava para baixo, para cima, como sorria, quando escolher e como escolher um perfil, como pôr as mãos.
Foi uma experiência divertidíssima, única, em que exagerámos em algumas poses para dar um ar editorial, de revista. Íamos à descoberta e íamos ver no que dava. 
A frase que mais recordo do Pedro, com todo o respeito, foi a frase "ombros para fora, peito para cima"!!!!! (ou seria ao contrário????)

Amei Pedro. A tua entrega, a tua paciência, o nosso à vontade, a nossa empatia.
Deixo aqui a foto que já viram e já gostaram. Aos poucos vou colocando mais uma, duas, três ou quatro - e vou ser comedida porque a minha vontade era postá-las todas. Chamem-lhe orgulho, chamem-lhe vaidade. Ou chamo amor ao que sinto quando mostro novas promessas, novos autores, novos artistas e artesãos. Chamo-lhe felicidade.





1 comentário:

Sandra Monteiro disse...

Olá!
Também eu adoro fotografia! Não tanto que me tirem, mas amo tirar fotos aos outros e de um modo geral a tudo o que mexa (ou nem tanto assim!) .
Adoro fotografar, tenho centenas de fotos nossas (somos 4, eu, o marido e os dois filhotes, um menino e uma menina), adoro apanhá-los de surpresa, quando estão a fazer o improvável. Adoro fotografar o chão, os pés, as flores, os pássaros...
E também gostei dos textos que li... achei piada encontrar alguém como eu que gosta de escrever e tem post's compridoooos.
Parabéns, vou passar a seguir-vos.

Cumprimentos!
Sandra C.

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