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quinta-feira, 6 de junho de 2013

De ontem, de hoje, de sempre



Ontem estive em modo reflexão.

Pensei muito no Rodrigo, pensei muito na mãe do Rodrigo e mesmo não querendo pensei muito na Benedita e naquela estória macabra.




Custou-me tanto como me custou naquele dia saber que uma criança tinha morrido, naquele caso um bebé pequenino. Não conhecia nenhum deles pessoalmente, mas sofri a valer pelos dois. Fui acompanhando aquelas vidas e senti como se fosse um dos meus que tivesse partido.Só que uma estória era verdadeira e a outra não.







Estive muito inlove pelos meus filhos ontem. Mais do que é costume.

Mas o enamoramento e amor passou de madrugada, quando pelo 3º dia consecutivo a Concha acorda aos gritos, não sei bem se com terrores nocturnos - é possível, mas depois não há ninguém nem nada que a acalme. Tem de sair do quarto e ir para a sala, sair do silêncio e da escuridão. Grita muito, muito alto e quando lhe pedimos para gritar um bocadinho mais baixo aí é que a porca torce o rabo e a casa estremece por todos os lados.




3 noites seguidas é dose e estou aqui a pensar no que devo fazer.

Entre a vontade de a abraçar e dizer-lhe que não tenha medo, vem uma vontade de a atirar pela janela. É que acorda toda a gente, os manos nos quartos ao lado, e o resto da vizinhança. É muito complicado.




O que vale é que conseguimos sentir várias emoções ao mesmo tempo e temos a capacidade de irmos gerindo tudo isso cá dentro.




E vivemos entre a frustração de pensarmos que a vida dos outros é que é boa, no mínimo sempre melhor do que a nossa e que com os outros tudo é fácil e tudo é simples. E por outro lado a grande bofetada que levamos quando nos apercebemos que há vidas bem piores do que aquela que nos calhou em sorte.




Este exercício faço-o há 9 anos, desde que o meu filho teve um avc e uns meses depois outro avc e quando lhe diagnosticaram uma tal de Moyamoya, uma doença degenerativa muito grave, que depois não se veio a confirmar.




Faço este exercício e sei o que é estar quase a perder um filho. Mas não sei o que é perder um filho. Isso não. Mas talvez seja por isto que o meu coração mirra sempre que sei da morte de mais um ser pequenino. E fico angustiadíssima como se estivesse a acontecer a um dos meus, comigo. E de alguma forma está. A nossa psike tem formas estranhas de resolver o que temos cá dentro ou de mostrar que não está resolvido coisa nenhuma.




E hoje baby C. acordou como se não fosse nada com ela e esta é uma das maravilhas de se ser criança. Esta capacidade de esquecer, de não lembrar, de ser elástico, de fazer as pazes, de seguir em frente, de se admirar.







Neste momento estou outra vez inlove. Vamos ver como estarei lá pelas 3 da manhã.






6 comentários:

Ana Isabel Almeida Pedruco disse...

Acabou de descrever tudo o sinto quando meu G. acorda milhentas vezes durante a noite e nada o acalma. Depois de manha passou tudo :) E descreveu também o que senti quando soube do pequeno Rodrigo, coração pequenino e uma vontade louca de abraçar o meu bebe e nunca mais largar. <3 Ainda agora vi um pequeno vídeo de despedida ao Rodrigo e não consegui conter as lagrima.... Acho que me sinto triste e revoltada ao mesmo tempo. :(

Rita Correia Ilustradora disse...

Já vi que ontem foi um dia de muitos abraços extra apertados aos nossos bebés!!
Queremos acreditar que vai ficar tudo bem... mas no fundo tudo isto nos prepara, nos faz crescer espiritualmente e no querer acreditar que a morte não é o fim, mas sim uma passagem, e um encontro com a nosso ser mais puro e verdadeiro!
E não há nada que possamos fazer, quando tudo tem um propósito... apenas AMAR!
E hoje será mais um dia de abraços apertados, e amanhã também... e depois do amanhã e do amanhã seguinte... até ao fim!

macaca grava-por-cima disse...

isto de ser de carne e osso é duro! como dizia o outro: "viver todos os dias cansa!"

PS - já sigo o FB do 4D, mas com a minha identidade pessoal (com a minha identidade de carne e osso, portanto e não a virtual, que no FB não quero macacadas)
let's see if you can find me ;-)

mãeee disse...

Descreveste bem o sufoco do sentimento de perda vivido ontem. Desesperei por estar longe dos meus em trabalho e nao poder ter o conforto dos seus abraços...

Abraço doce,
S

P.s. o acolhimento e o carinho são os mesmos. Sempre

Maria João disse...

O nosso modo inlove realmente muda consoante os nossos filhos se comportam. Não é que os deixemos de amar, ou o nosso amor diminua, mas há situações em que sim, quase perdemos o controlo!
Sei bem o que são os gritos de madrugada. A minha filha passou por uma fase assim de acordar aos berros e ficar acrodada 3h!! Devia ser mais ou menos da idade da tua pequenina. O bom de tudo isto é que são fases que passarão. Rápido, espero eu. Bjinhos.

sofia disse...

é impossivel deixar de nos sentirmos assim
se é um aperto tão grande para nós, como não será para a mãe
Abracemos os nossos filhos e agradeçamos por tudo!

Quanto à Concha, daqui fala uma mãe cuja filha passou meio ano com terrores
Todas as noites acordava à mesma hora aos berros, transpirada como se fosse verão, e que só acalmava com luz, fora da cama, ao colo e bem aperdadinha
Que lhe passe logo
E sim, também ela acordava como se nada se tivesse passado
"dormiste bem?"
"sim" era sempre a resposta!
beijinhos

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